Em dois meses, apreensões de ampolas emagrecedoras já superam 2025 em MG
Aumento expressivo indica alta demanda por produtos no mercado ilegal, o que tem impulsionado o contrabando
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7
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O número de apreensões de medicamentos para emagrecimento contrabandeados disparou em Minas Gerais e acendeu um alerta das autoridades de saúde e segurança. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que, em todo o ano de 2025, foram apreendidas cerca de 900 ampolas. Já em 2026, apenas nos dois primeiros meses, esse número mais que dobrou, chegando a 2 mil unidades.
O aumento expressivo indica uma alta demanda por esses produtos no mercado ilegal, o que tem impulsionado o contrabando. “Isso demonstra que o mercado está muito intenso e as pessoas estão buscando esse tipo de medicamento”, aponta Cristiano Mendes, agente da PRF.
Medicamentos ilegais e riscos
A comercialização e importação de canetas emagrecedoras são regulamentadas pela Anvisa, que publicou, em fevereiro, uma resolução determinando a apreensão de produtos sem registro no país. Nesses casos, a importação e venda configuram crime de contrabando.
Para além da questão legal, o transporte precário é o que mais preocupa as autoridades. Como os produtos entram ilegalmente, não há qualquer controle térmico.“O que preocupa a gente realmente é que, além de ser um medicamento proibido, o transporte desse produto é feito de maneira totalmente inapropriada, sem nenhum tipo de refrigeração, o que potencializa o risco à saúde. A gente nem sabe se é material de verdade ou se são ampolas falsificadas, o que pode fazer muito mal a quem consome”, reforçou Mendes.
A Anvisa alerta ainda que o uso indiscriminado, especialmente fora das indicações médicas, pode provocar efeitos adversos sérios e dificultar o diagnóstico de complicações, como a pancreatite aguda.
Flagrante nas rodovias
O crescimento das apreensões foi evidenciado em uma abordagem recente da PRF na região metropolitana de Belo Horizonte. Durante patrulhamento, policiais receberam um alerta de risco e decidiram interceptar um veículo.
Na conversa com o motorista, os agentes perceberam contradições sobre o destino da viagem, o que levantou suspeitas. Durante a vistoria, foram encontrados volumes escondidos sob o carpete do porta-malas.
A fiscalização detalhada revelou um esquema de ocultação: os policiais localizaram 196 ampolas e seis canetas emagrecedoras, escondidas em diferentes partes do carro, incluindo as portas.
O motorista, de 40 anos, confessou que transportava a carga do Mato Grosso do Sul para Belo Horizonte e que receberia instruções sobre a entrega ao chegar. Ele viajava com a esposa e o enteado, estratégia, segundo a PRF, frequentemente usada por criminosos para tentar evitar suspeitas.
“A gente percebe que contrabandistas utilizam-se de crianças, de mulheres e de idosos para buscarem burlar a fiscalização. Contudo, esse tipo de procedimento já é facilmente constatado pelos policiais devido à experiência no dia-a-dia e a gente não se deixa enganar por esse tipo de situação”, explicou o agente.
Rotas e estratégias do contrabando
A PRF também identificou mudanças nas rotas utilizadas pelos contrabandistas. Antes, os medicamentos entravam no Brasil principalmente pelo Paraná. Agora, há uma migração para o Mato Grosso do Sul, com deslocamento até Minas Gerais por rodovias como a BR-262.
Com o reforço da fiscalização, criminosos têm buscado rotas alternativas, incluindo estradas estaduais, numa tentativa de driblar o monitoramento.
“Devido à intensificação da nossa fiscalização, eles buscam rotas alternativas através das rodovias estaduais. Nenhuma polícia trabalha sozinha, e essa ação integrada e o compartilhamento de informações são fundamentais. Quem ganha com isso é a população”, reforçou mendes.
Prisão e investigação
O motorista foi preso em flagrante e encaminhado à Polícia Federal, onde deve responder por contrabando. A esposa foi liberada, já que, segundo os policiais, não havia comprovação de que ela tinha conhecimento da carga.
Enquanto isso, as autoridades seguem monitorando o avanço desse tipo de crime. Dados nacionais sobre apreensões ainda são aguardados junto à Polícia Federal, mas o cenário em Minas já evidencia uma tendência preocupante. Para Mendes, o volume de apreensões ‘demonstra que o mercado está muito intenso’ e reforça que a atuação policial ‘busca proteger a vida e a saúde de todas as pessoas’, já que o consumo desses produtos irregulares ‘coloca em risco a saúde da população’.
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