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Em Minas, 11 crianças e adolescentes são agredidos dentro de casa todos os dias

Em alguns casos, violência doméstica termina em morte

Minas Gerais|Thaís Mota, do R7

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Em julho deste ano, Kevin Gomes Sobral foi morto pela mãe e teve o corpo ocultado dentro de um sofá na casa de parentes em Ibirité
Em julho deste ano, Kevin Gomes Sobral foi morto pela mãe e teve o corpo ocultado dentro de um sofá na casa de parentes em Ibirité

Há mais de um mês, Davi Renan Monteiro Marins, de dois anos, está internado no Hospital de Pronto-Socorro João 23, em Belo Horizonte. Ele se recupera de agressões cometidas pela própria mãe, uma adolescente de 17 anos, em Rio Piracicaba, na região central de Minas Gerais.

A criança sofreu queimaduras provocadas por uma chapinha de cabelo e ficou em estado grave no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) por mais de 15 dias. Agora, ele está na ala de pediatria do hospital e, segundo a assessoria da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), seu estado de saúde é estável e ele não corre risco de morte.


Este é um dos 3.408 casos de violência doméstica e familiar contra crianças até 11 anos registrados pela Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social) entre janeiro e outubro deste ano em todo o Estado, o que representa aproximadamente 11 casos por dia em Minas.

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Segundo o delegado da Dopcad (Divisão Especializada de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente), Breno Carvalho, este é um número expressivo e que vem aumentando ao longo dos últimos anos.


— Acredito que o aumento é porque antigamente a subnotificação desse tipo de crime era muito maior e hoje há mais canais para denunciar práticas de violência doméstica. Além disso, a atuação da rede de proteção também é mais eficaz.

Ainda conforme Breno Carvalho, quando uma crianças ou adolescente sofre uma agressão dentro de casa eles são retiradas do convívio familiar e encaminhados aos cuidados de parentes. Em casos onde isso não é possível, os menores são levados até o Conselho Tutelar e, em situações mais graves podem até ser destituídas do poder familiar, sendo entregues à adoção.


— Após a denúncia, elas passam a ser acompanhadas por uma rede de proteção para garantir os direitos das crianças e adolescentes porque a violência doméstica é uma conduta muito grave e que pode gerar distúrbios comportamentais e sequelas para toda a vida.

Mortes

Em alguns casos, a violência doméstica pode até resultar em morte como aconteceu no início do mês de novembro em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Um casal teria agredido uma menina de um ano e sete meses até a morte e a perícia realizada pela Polícia Civil no corpo da criança revelou que ela era vítima de tortura em casa. Ambos foram presos pelo crime e ainda aguardam julgamento.

Já em julho deste ano, um caso de violência doméstica contra criança chocou o Estado e ganhou repercussão nacional. Marília Cristina Gomes teria denunciado o desaparecimento de seu filho de dois anos, inclusive em entrevista à TV Record, mas a polícia descobriu que, na verdade, ela teria matado Kevin Gomes Sobral e escondido o corpo dentro de um sofá na casa de parentes.

O crime aconteceu em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, e após investigações, a mulher foi presa e indiciada por homicídio e ocultação de cadáver. Ela confessou o crime e afirmou que teria jogado a criança contra a parede porque o menino estaria mexendo em seu celular.

Segundo o delegado Breno Carvalho, para evitar situações graves como estas, a Polícia Civil e os órgãos de Defesa Social têm realizado várias campanhas de conscientização para que as pessoas denunciem os casos de violência familiar. Além disso, professores e profissionais de saúde também estão sendo treinados para identificar quando uma criança está sofrendo maus-tratos em casa.

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