Força-tarefa desarticula grupo que agia como a máfia italiana em MG
Vinte e nove pessoas são alvos da operação La Famiglia, que apura 18 homicídios em apenas em três anos; entre os suspeitos, políticos e policiais
Minas Gerais|Paulo Henrique Lobato, do R7

Uma força-tarefa está nas ruas nesta terça-feira (20) para capturar 29 suspeitos de integrarem uma organização criminosa que atua como a máfia italiana da Sicília e seria responsável por ao menos 18 homicídios, no Leste de Minas Gerais, em apenas três anos.
A operação La Famiglia investiga fazendeiros, empresários, políticos, policiais militares e civis e agentes penitenciários. Embora os 18 assassinatos tenham ocorrido num espaço de três anos, a suspeita é que o grupo agia na região há duas décadas.
Eles não são acusados apenas de assassinatos por recompensa. Na lista de crimes, ainda há extorsão, corrupção ativa e passiva e concussão.
A maioria dos mandados de prisão é cumprida na região de Governador Valares, mas alguns são realizados nos Estados Unidos, Bahia, Ceará e Maranhão.
As mortes podem ter como motivos simples desavenças comerciais, familiares; mas também infidelidade conjugal, queima de arquivo e disputas políticas.
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A força-tarefa reúne o MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), polícias Civil e Militar, representantes da Interpol, Agência de Imigração Americana (Immigration and Customs Enforcement- ICE) e dos Gaecos (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) da Bahia, Ceará e Maranhão.
Família do crime
Segundo o MPMG, "o grupo criminoso tem comportamento, estrutura e atuação similares à da máfia, que, na região italiana da Sicília, tinha sua unidade básica denominada de La Famiglia”. Daí o nome da operação.
Os promotores e os investigadores concluíram que o grupo que atua no Leste de Minas Gerais recorre aos assassinatos para resolver desavenças com desafetos: "não há um líder na organização criminosa Família, já que a liderança é exercida por uma 'comissão' ou 'conselho deliberativo', formado pelos membros mais poderosos que deliberam sobre os crimes violentos".
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A apuração constatou que o grupo é bem estruturado, com funções específicas para os integrantes. Há agenciadores, executores, responsáveis por logísticas e pessoas especializadas em desviar os focos das investigações.
De acordo com o MPMG, "entre as estratégias usadas pela organização criminosa para conseguir a impunidade, estão o planejamento criterioso da execução do crime para que não ocorra prisão em flagrante delito; acionamento de grande equipe de apoio logístico no dia do crime; acionamento de equipe para acompanhamento das investigações e fornecimento de informações privilegiadas para impedir o progresso da investigação; coação e eliminação de vítimas sobreviventes, familiares, testemunhas e até mesmo autoridades que estejam atuando na investigação; aproximação das autoridades locais para ganhar confiança, firmando uma autoimagem positiva e desconstruindo a imagem das autoridades que apuram os crimes da organização criminosa".
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