Furto e roubo de minério de ferro movimentam milhões em MG
Investigações da Polícia Civil identificaram uma organização criminosa responsável pela maioria das ações ilícitas
Minas Gerais|Ricardo Vasconcelos, da Record TV Minas

Uma organização criminosa movimentou ao menos R$ 50 milhões em furtos e roubos de minério de ferro contra mineradoras que atuam em Minas Gerais. Uma das vítimas foi a Vale, que acionou a Polícia Civil para apurar os crimes. A reportagem do R7 teve acesso exclusivo ao andamento das investigações, comandadas pelo Depatri (Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio).
"Após pedido de providências da empresa Vale referente a crime de furto de material mineral em suas propriedades, foram efetuadas investigações que apontaram a existência de uma associação criminosa atuante em crimes de furto e receptação qualificada, indicando prejuízos estimados em mais de R$50 milhões em desvios. Nesta fase foram alcançadas empresas de beneficiamento e novas fases estão previstas para os próximos dias visando fechar o cerco aos propagadores de tais atividades”, explicou o delegado João Prata, chefe de divisão do Depatri.
No último dia 21 de junho, os policiais realizaram uma operação para cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão, em Barão de Cocais, na região Central de Minas. Foi a primeira fase da operação, que recebeu o nome de Rio de Metal. Policiais também sobrevoaram toda região, mapeando as ações criminosas.

Crimes
De acordo com o delegado, os criminosos invadiam as áreas de exploração de minério e cometiam os furtos, em algumas situações, praticavam roubos, com uso de armas de fogo. Os minerais eram repassados para diversos receptadores, que faziam o beneficiamento do minério e a revenda para empresas do ramo ou siderúrgicas.
Ainda conforme as investigações, as empresas envolvidas no esquema faziam a mistura do material receptado com mineral comprado com notas fiscais de forma legal, promovendo, assim, um aumento do teor de ferro, conseguindo melhores preços com o produto de maior qualidade junto ao mercado.
O Depatri também descobriu indícios de que, por meio de alvará de funcionamento para desassoreamento de rios da região, suspeitos, na verdade, faziam a captação de minério o qual, em desvio de finalidade, era beneficiado e revendido com nota fiscal a terceiros, induzindo a erro empresas terceiras que adquiriam o produto irregular acreditando ser de origem legal.
Apreensões
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam tratores, caminhões, carros, computadores e notebooks, além de documentos, com as movimentações da organização criminosa. Novas fases da operação estão previstas para acontecer. Os suspeitos envolvidos podem responder pelos crimes de receptação, furto qualificado, associação criminosa, receptação qualificada, sonegação fiscal.
Confira a nota da Vale na íntegra:
“A Vale esclarece que a referida área é destinada à compensação ambiental de seus empreendimentos na região. A empresa repudia veementemente a atividade de lavra ilegal e adota todas as medidas cabíveis para coibir a prática, que além de configurar crime, impõe drásticos impactos ao meio ambiente, aos cofres públicos, à segurança e à atração de investimentos.
A empresa tem reforçado seu monitoramento em prol da preservação do meio ambiente e da segurança das pessoas, reforça que acompanha o andamento das investigações e está à disposição das autoridades para esclarecimentos.”















