Grupo de bolivianos denuncia trabalho escravo em fábrica de roupas
Trabalhadores denunciaram que só recebiam pelos produtos vendidos
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7
Um grupo de bolivianos - dois homens uma mulher e duas crianças - foi encontrado em condições de escravidão em uma fábrica de roupas em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, segundo a Polícia Militar. Nesta segunda-feira (11), uma das vítimas procurou a polícia para denunciar que trabalhava até 16 horas por dia e só recebia salário sobre as peças vendidas.
Walter Irineo Kuispe Poma, 25 anos, afirmou ter viajado da Bolívia para a Grande BH há sete meses, onde faz serviços de costura. Os militares foram à rua Santos de Oliveira e Silva, nº 235, bairro Bom Sossego, e confirmaram as denúncias. A mulher de Walter, Tatiana Vilavicencio Chambi, 23 anos, morava nos fundos com os dois filhos, de dois e três anos, que foram levados para a UPA Justinópolis.
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De acordo com eles, a jornada de trabalho se estendia das 7h às 22h ou meia-noite e os salários só eram pagos caso o fornecedor comprasse o estoque. Em caso de falhas nas peças, o valor era retido e o trabalhador só recebia após o conserto. Walter Irineo teria se irritado na última semana com a falta de pagamento e ameaçado matar os responsáveis pela contratação.
José Luiz Ninaja Kuispe, 25 anos, segundo a PM, também teria confirmado a situação. A responsável pela confecção - Sirlei Raimunda de Castro, 40 anos, e os irmãos Jimmy Valencia Cordeiro, 30 anos, e Jorge Luiz Valencia Cordeiro, 27 anos, foram levados para a Polícia Federal para prestar depoimento. Um inquérito foi instaurado para apurar o caso.
Empresa nega
Em nota à imprensa, Sirlei Raimunda de Castro negou todas as acusações. Ela afirma que a empresa Perazolli Confecções e Presentes funciona desde maio de 2013 "respeitando a dignidade da pessoa humana e as legislações aplicáveis". Segundo a empresária, os funcioários atuam em horário comercial e têm descanso para almoço respeitado. Os bolivianos encontrados pela polícia não trabalham na confecção há mais de 30 dias, e a polícia só teria ido ao local porque um dos denunciantes, José Luiz, afirmou a um dos militares que passava dificuldades porque a Perazolli teria uma dívida com ele. A empresa nega possuir tal débito e afirma ser "mentira" a afirmação de que os bolivianos teriam sido resgatados de situação análoga à escravidão.















