Minas Gerais Guarda de menino morto em BH já foi alvo de conflito entre os pais

Guarda de menino morto em BH já foi alvo de conflito entre os pais

Boletins de ocorrência indicam desentendimentos e denúncia de agressão; família da mãe também morta cita depressão

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7, com Enzo Menezes, da Record TV Minas

Mãe e filho foram encontrados mortos em condomínio de luxo

Mãe e filho foram encontrados mortos em condomínio de luxo

Reprodução / Redes sociais

A guarda do menino Davi Fagundes Rocha, de 6 anos, encontrado morto em um apartamento de luxo em Belo Horizonte, no último sábado (10), já foi motivo de desentendimentos entre os pais da criança.

A advogada Renata Fagundes de Andrade, de 37 anos, mãe do menino, também foi achada morta no condomínio onde vivia com o filho. A hipótese inicial é que ela tenha matado Davi e tirado a própria vida em seguida.

A reportagem teve acesso a boletins de ocorrência registrados em 2016 que relatam a desavença dos pais em relação à guarda compartilhada da criança.

Em seis registros, Alberto Magno Rocha Filho, pai do menino, denunciou ter sido impedido de pegar Davi para o dia de visita que ele teria direito conforme acordo judicial da separação do casal. O pai também relatou que, algumas vezes, chegou para buscar a criança na data prevista, mas Renata não estava em casa.

Em outra ocorrência, registrada por Renata, a advogada relatou aos militares que o ex-marido teria arrancado o filho de seus braços, à força, já que a criança não queria ir com ele para a visita. Na época, ela ainda relatou que a situação provocou um arranhão em seu braço.

O delegado Domênico Rocha, da Polícia Civil, afirma que as investigações iniciais apontam para um relacionamento conflituoso entre os ex-casal, mas que a principal hipótese investigada é a de homicídio seguida de suicídio.

— Não havia sinais de luta corporal dentro do apartamento. Geralmente, quando há uma cena de homicídio com resistência da vítima, os móveis ficam fora do lugar, alguns objetos caem no chão e quebram, mas não foi o caso desta cena.

Depressão e agressão

No dia em que Renata e Davi foram encontrados mortos, a mãe da advogada afirmou aos policiais que a filha tinha depressão por não aceitar o fim do casamento. No registro, a mãe da advogada também relatou que Renata fazia uso de medicamentos antidepressivos e fazia acompanhamento psiquiátrico para tratar a doença.

No velório da advogada, Elizana Fagundes, tia de Renata, descreveu a sobrinha como uma pessoa "inteligente e centrada" e cobrou esclarecimentos sobre as mortes. A mulher ainda afirmou que um histórico de agressões teria motivado o fim do casamento do casal.

— Renata era advogada e conhecia as leis. Ela sabia dos direitos e deveres dela. Tudo pode acontecer na nossa vida diante uma situação alarmante. Existem muitas lacunas [sobre a morte]. Por que ele [Alberto] foi chamar o chaveiro se a mãe da Renata já estava a caminho com a chave? Como ele sabia que havia acontecido algo lá dentro? Não estamos acusando ninguém, mas nós queremos os esclarecimentos. Eles se separaram porque o marido espancava a minha sobrinha, batia nela. Era terrorismo moral, psicológico e material.

A reportagem também teve acesso a um outro boletim policial de 2016 em que Renata relatou à polícia que o ex-marido entrou no condomínio sem sua autorização, brincou com o filho na quadra e, em seguida, a segurou com as duas mãos e desferiu chutes contra a sua perna.

O registro não deixa claro o motivo da suposta briga do casal. Na ocasião, Renata pediu à polícia uma guia para realizar exame de corpo de delito, mas negou pedido de medida protetiva contra o ex. A Polícia Civil informou que investigou o caso e enviou o inquérito para a Justiça. O R7 aguarda retorno do TJMG sobre o assunto. A reportagem também tentou contato Alberto Filho, mas não teve resposta.

Corpos em apartamento

Os corpos de Davi e Renata foram encontrados com perfurações, em quartos separados. Alberto Magno Rocha Filho chamou um chaveiro para arrombar a porta após não conseguir contato com o filho ou com a ex-mulher. Ao entrarem no apartamento e encontrarem os corpos, eles chamaram a polícia.

O delegado Domênico Rocha conta que as últimas imagens do circuito de segurança que registram a família mostram mãe e filho voltando da escola. Não havia sinais de arrombamento.

— O imóvel estava trancado por dentro, por aquelas fechaduras de tetra chave. Chegamos a entrevistar o chaveiro. Ele disse que se não tivesse os conhecimentos técnicos que um chaveiro tem, muito provavelmente ninguém conseguiria entrar no apartamento.

Quatro facas e uma tesoura sujas de sangue foram encontradas no local. O material foi recolhido para perícia. Os laudos devem ser divulgados em até 10 dias.

— Os exames médicos vão apurar se o sangue é da criança, da mãe ou eventualmente de uma terceira pessoa que pode ter passado pelo local.

Últimas