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Investigado por espancar garota de programa, agiota diz que mercado está ‘saturado’

Segundo o delegado, suspeito disse que pretendia deixar a atividade e será investigado por extorsão, tortura e ameaças

Minas Gerais|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pedro Henrique Coelho de Souza, conhecido como "PH", foi preso em Belo Horizonte, acusado de espancar uma garota de programa e de atuar como agiota.
  • PH alegou que o mercado da agiotagem está saturado e que pretendia mudar de profissão, mas a polícia investiga sua atuação violenta na cobrança de dívidas.
  • Vídeos divulgados mostram PH agredindo uma mulher para cobrar uma dívida de R$ 10 mil, além de ameaçar outras vítimas com violência.
  • PH é investigado por extorsão, tortura e ameaças, e a polícia busca identificar outras vítimas e possíveis cúmplices.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O vídeo mostra a mulher sentada sobre a cama enquanto é agredida com tapas, socos e chutes

Ao ser preso na manhã dessa segunda-feira (27), em Belo Horizonte, o agiota Pedro Henrique Coelho de Souza, conhecido como “PH”, afirmou à Polícia Civil que pretendia abandonar a atividade porque “o mercado da agiotagem está saturado”. A declaração foi revelada pelo delegado José Eduardo Gonçalves, responsável pelas investigações, durante entrevista exclusiva a RECORD Minas concedida após a prisão do suspeito.

Segundo o delegado, PH contou aos investigadores que o número de pessoas atuando na cobrança ilegal de empréstimos cresceu na capital mineira e que, por isso, pretendia mudar de profissão. “O mercado da agiotagem já está saturando aqui em Belo Horizonte”, teria dito o suspeito durante o interrogatório.


Apesar da justificativa apresentada, a Polícia Civil afirma que as investigações apontam um cenário bem diferente. Conforme José Eduardo Gonçalves, PH atua há pelo menos um ano como agiota e possui um perfil extremamente violento na cobrança das dívidas.

“O próprio investigado disse que não tinha um público específico. Qualquer pessoa que precisasse de dinheiro poderia recorrer a ele”, explicou o delegado.


A investigação ganhou repercussão após uma denúncia exclusiva recebida pela Record Minas revelar vídeos em que PH aparece espancando uma garota de programa dentro de um hotel na Rua Guaicurus, no Centro de Belo Horizonte. Nas imagens, ele agride a mulher com tapas, socos e chutes enquanto cobra uma dívida de R$ 10 mil e faz repetidas ameaças de morte.

As apurações da Polícia Civil mostram, no entanto, que as vítimas não eram apenas garotas de programa. Segundo o delegado, o próprio suspeito afirmou que emprestava dinheiro a qualquer pessoa interessada, sem escolher um perfil específico de cliente.


PH foi preso em uma oficina mecânica no bairro Guarani, na região Norte de Belo Horizonte. Aos policiais, ele disse que o estabelecimento era dele e que pretendia migrar para o ramo da manutenção de motocicletas, abandonando a agiotagem.

No entanto, conforme destacou José Eduardo Gonçalves, o próprio investigado entrou em contradição durante o depoimento. PH afirmou que havia vendido três pistolas calibre .380 para levantar dinheiro e aumentar o capital destinado aos empréstimos ilegais.


“Ele disse que vendeu as armas para conseguir mais recursos e continuar alimentando o sistema de empréstimos”, relatou o delegado.

As armas já haviam aparecido em fotografias divulgadas pelo próprio suspeito nas redes sociais, nas quais ele exibia o armamento. A Polícia Civil agora apura o destino dessas pistolas.

Além da extorsão, PH também deverá responder por crimes relacionados às agressões registradas em vídeo. A investigação apura os crimes de tortura, ameaça e outras possíveis infrações cometidas durante as cobranças das dívidas.

Segundo a Polícia Civil, o sistema funcionava por meio de empréstimos concedidos com juros elevados. Em um dos vídeos divulgados pelo próprio investigado, ele cobra R$ 10 mil de uma vítima e exige que ela entregue ao menos R$ 2 mil no dia seguinte, enquanto faz ameaças de morte.

A investigação também revelou que o medo impedia muitas vítimas de procurarem a polícia. Testemunhas ouvidas pela Record Minas relataram que diversas mulheres permaneciam em silêncio por receio de novas agressões, da divulgação de vídeos íntimos e de represálias.

José Eduardo Gonçalves informou que PH ainda passará por exame de corpo de delito e que novas diligências continuam para identificar outras vítimas e aprofundar as investigações sobre o esquema de agiotagem. A Polícia Civil também busca esclarecer a participação de outras pessoas que possam ter auxiliado o investigado na cobrança das dívidas e nas ameaças às vítimas.

Relembre o crime

O caso veio à tona após a Record Minas receber, com exclusividade, vídeos, fotos e áudios que revelavam um esquema de violência praticado por Pedro Henrique Coelho de Souza, conhecido como PH, contra mulheres que contraíam empréstimos com ele. Nas imagens, gravadas em um hotel da Rua Guaicurus, no Centro de Belo Horizonte, o agiota aparece espancando uma garota de programa com tapas, socos e chutes enquanto cobra uma dívida de R$ 10 mil. Durante as agressões, ele faz ameaças de morte e exige que a vítima pague R$ 2 mil no dia seguinte.

Segundo testemunhas, o próprio PH publicou o vídeo das agressões nas redes sociais para intimidar outras devedoras. A divulgação provocou medo entre as mulheres que atuam na região da Guaicurus, que relataram viver sob constantes ameaças e disseram que evitavam procurar a polícia por receio de represálias. Além do vídeo, a reportagem teve acesso a áudios em que o suspeito ameaça torturar vítimas e afirma que os filhos de uma delas “vão crescer sem mãe”, além de uma foto em que ele exibe três pistolas.

Com base no material entregue pela Record Minas e nas demais diligências realizadas, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o caso. As apurações apontam que PH utilizava violência física, ameaças e intimidação para cobrar empréstimos concedidos a juros elevados. Nesta terça-feira (28), ele foi preso no bairro Guarani, na região Norte de Belo Horizonte, e é investigado por crimes como extorsão, tortura e ameaça.

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