Investigadora suspeita de forjar apreensão de drogas vai para prisão domiciliar em BH
Policial deverá usar tornozeleira eletrônica e está proibida de manter contato com outros investigados
Minas Gerais|Ricardo Vasconcelos, da RECORD Minas
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A investigadora da Polícia Civil Ana Luiza Guimarães Carvalho, suspeita de envolvimento em uma apreensão de drogas supostamente forjada durante uma operação em Belo Horizonte, teve a prisão convertida em domiciliar pelo prazo inicial de 90 dias. A medida foi autorizada após parecer favorável do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ocorre menos de duas semanas depois de a policial se entregar.
A conversão foi determinada por questões de saúde. Conforme relatório elaborado pela Casa de Custódia da Polícia Civil, a investigadora apresenta um “quadro depressivo intenso”, além de recusar alimentação e banhos de sol durante o período em que esteve presa. O documento também relata ideações de autoextermínio.
Apesar da prisão domiciliar, Ana Luiza terá que cumprir uma série de medidas cautelares. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar integral durante os 90 dias. Ela poderá deixar a residência apenas para tratamento médico, com consultas e atendimentos posteriormente comprovados à Justiça.
A investigadora também está proibida de manter contato com os demais investigados, vítimas e testemunhas do caso e de acessar ou comparecer a unidades do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc).
A decisão ainda determina a suspensão do exercício da função pública e do acesso da policial aos sistemas de informações e bancos de dados disponíveis em razão do cargo, sem prejuízo da remuneração. O porte e a posse de arma de fogo também foram suspensos. Ela não poderá deixar a comarca sem autorização judicial, exceto em situações emergenciais de saúde.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que recebeu o alvará de soltura e realiza os procedimentos legais para o cumprimento da ordem judicial.
Outros dois policiais seguem presos
Os investigadores Rafael Egg Macedo e Rodrigo Otávio Andrade, também envolvidos na investigação, permanecem presos na Casa de Custódia da Polícia Civil. Rafael foi preso no dia 14 de setembro e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça. Rodrigo se entregou no dia 19.
Relembre o caso
O caso começou após uma operação da Polícia Civil realizada em agosto no bairro Bandeirantes, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Pai e filho foram presos por suspeita de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
A atuação dos policiais passou a ser investigada após surgirem suspeitas sobre a apreensão de um tablete de maconha na residência. Segundo o Ministério Público, as imagens da operação apresentavam cortes e não mostravam de forma contínua toda a busca, apesar de determinação para que o procedimento fosse integralmente filmado.
Ainda conforme o MPMG, depois que uma arma foi localizada no quarto do filho, os policiais teriam indicado inicialmente que o cômodo estava “limpo”. Posteriormente, um dos agentes retornou sozinho ao quarto e encontrou um tablete de maconha sobre uma sapateira aberta. Não havia testemunhas civis no local no momento da apreensão da droga.
Diante das inconsistências apontadas, o Ministério Público se manifestou pela revogação da prisão preventiva de pai e filho. A Justiça acolheu o pedido e determinou a soltura dos dois, que passaram a cumprir medidas cautelares.
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