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Jovem que nasceu sem os braços aprende a dirigir com os pés e tira CNH em MG

Reiner Martins, de 20 anos, compartilha nas redes sociais uma rotina independente e de superação

Minas Gerais|Arnon Gonçalves, do R7 e Regiane Moreira, da Record Minas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Reiner Martins, jovem de 20 anos de Juatuba, MG, nasceu sem os braços e aprendeu a dirigir com os pés, conquistando a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
  • Ele compartilha sua rotina independente nas redes sociais, incluindo estudos, tarefas domésticas e momentos de lazer, inspirando pessoas com deficiência.
  • Reiner é aluno de Agronomia na Universidade Federal de Lavras, onde utiliza adaptações para acompanhar as aulas e planeja seguir carreira em pesquisa.
  • Além de dirigir, ele se dedica a atividades como futebol, tocar violão e cozinhar, mostrando que é possível superar desafios e viver plenamente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Reiner sempre teve o sonho de aprender a dirigir Reprodução/ACERVO PESSOAL

Um jovem do Sul de Minas, que nasceu sem os dois braços, está viralizando nas redes sociais ao mostrar um pouco da rotina. Reiner Martins tem 20 anos e celebrou com os seguidores a conquista da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que conseguiu após aprender a dirigir com os pés.

Além da realização, ele também compartilha uma rotina independe, de estudos, tarefas domésticas e momentos de lazer com a família. Na semana em que se celebra o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, a trajetória de Reiner é uma mensagem clara de como o amor pode transformar a vida de uma pessoa.

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Preparo na infância

Reiner, que é natural de Juatuba, na região metropolitana de Belo Horizonte, e atualmente mora em Lavras, já nasceu sem os braços e, desde pequeno, aprendeu que essa limitação não iria impedir que ele tivesse uma vida independente. Ainda muito novo, ele começou a fazer terapias e treinos para desenvolver as habilidades com os pés.

Kátia Cecília, mãe do jovem, conta que colocavam ele para fazer vários tipos de desenho, para estimular que ele fosse pegando o jeito com os movimentos. Ele também trabalhava o equilíbrio na hidroterapia. “Tudo que foi dentro do preparado, do esperado, do trabalhado com ele. Para que ele atingisse essa autonomia, essa independência”, conta Kátia.

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Para Reiner, esse preparo na infância e adolescência foi fundamental: “No início, para mim, morar sozinho foi aquela coisa, aquele receio. Mas minha mãe me criou para o mundo. Minha mãe me criou para ter minha independência, minha autonomia. Me deu muito esse senso de responsabilidade, seriedade, organização. Um senso de autocrítica mesmo”.

A mãe também conta que foi muito importante, enquanto Reiner crescia, estimular a autoestima dele. Ela disse que ele questionava por que as pessoas olhavam tanto para ele: “aí eu falava para ele, meu filho, é tão difícil ver um menino bonito, inteligente, bem humorado, de bem com a vida como você. E sem os bracinhos. Então as pessoas ficam fascinadas de te ver”.

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Rotina independente

Reiner conta que uma das coisas que gosta de compartilhar com os seguidores são as tarefas diárias, como colocar a meia nos pés, calçar o tênis. Ele também conta que estuda, cuida da casa, pratica esportes e prepara a própria comida com um bom tempero mineiro.

Ele já até gravou mostrando o dia em que estava preparando estrogonofe, abrindo o pacote do frango e dos outros produtos com os pés. “Eu comecei aprendendo a fazer omelete. Aí minha mãe foi me ensinando e depois eu fui me aventurando um pouco mais. Hoje em dia eu faço arroz, já faço carne também, faço minha salada”, conta o jovem.

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Tem dias que ele aproveita, também, para frequentar o bandeijão da Universidade Federal de Lavras (UFLA), no Sul de Minas, onde é aluno do segundo período do curso de Agronomia. O objetivo dele com o curso superior é focar no conhecimento teórico para ajudar o pai, que trabalha no ambiente rural. “Quem vai suceder esse trabalho do meu pai sou eu. Então eu vi a necessidade de aprender”, conta.

A instituição se preparou para receber Reiner e cada pavilhão conta com uma cadeira adaptada que ele pode utilizar para facilitar o acompanhamento das aulas. O estudante explica que nas aulas de microbiologia, por exemplo, ele faz tudo com os pés, como manusear o microscópio e as pinças.

E ele é muito elogio na universidade pela dedicação, e também pelo capricho na letra. “Nunca fiz nada de caligrafia não. Era só minha mãe falando, sua letra está feia, tem que melhorar. Eu não estou conseguindo ler. Como é que você vai conseguir ler isso aí? E os outros? Você tem que fazer a letra para os outros lerem. Então você tem que fazer sua letra bonita”, conta.

O jovem afirma que, em relação aos estudos, tem muito interesse em seguir a carreira de pesquisa, pretendendo realizar um mestrado e um doutorado.

Conquista da CNH

Uma das grandes conquistas da vida, segundo Reiner, foi o momento em que ele conseguiu tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Para isso, o jovem precisou criar uma rotina de treinos adaptada e aprender a dirigir com os pés. “Tudo que as pessoas fazem eu tenho esse desejo de estar fazendo também. Provar para mim mesmo que eu consigo”, conta Reiner.

Hoje em dia, ele consegue fazer tudo em relação à direção com os pés, como abrir a porta, colocar o cinto e usar o pedal. No carro que ele utiliza o pedal é invertido e o acelerador fica do lado esquerdo, para facilitar a condução. E foi exatamente com um vídeo mostrando a condução de um carro com os pés que Reiner viralizou nas redes sociais. Agora, ele está com uma agenda cheia na região, participando de palestras e visitas, contando a história de superação.

Além de dirigir, o jovem tem o futebol como uma das grandes paixões. Ele também gosta de jogar truco com os amigos e tocar violão. No instrumento musical, modão é um dos ritmos preferidos. “Não tem como eu me vitimizar, eu queria reclamar por isso. Às vezes dá vontade de ter os braços, porque os braços fazem falta, eu reconheço. Mas é a minha realidade, minha mãe sempre colocou isso na minha cabeça”.

Um dos objetivos de Reiner compartilhando a rotina e a própria história é mostrar para outras pessoas que é possível superar algumas dificuldades e ser feliz. “Outras pessoas que têm algum certo tipo de deficiência, às vezes até a minha, poder ver que eu estou superando essas dificuldades, dar um ânimo para essas pessoas é muito gratificante. Deus não me deu os braços, mas ele me deu uma cabeça boa, me deu o resto do corpo. Então, o que eu posso fazer com o resto do meu corpo para poder fazer as coisas, viver uma vida normal? É assim que eu penso, para poder ir me superando e vencendo as batalhas do dia a dia”, finaliza Reiner.

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