Juiz de Belo Horizonte barra lançamento de aplicativo Tubby
Ferramenta foi criada como resposta ao Lulu; advogada diz que app é "agressivo"
Minas Gerais|Felipe Rezende, do R7

A pouco mais de um dia do lançamento oficial, o Tubby, resposta masculina para o aplicativo Lulu, pode nem chegar aos smartphones. Uma decisão do juiz da 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte barrou o lançamento do aplicativo.
O pedido foi feito ontem e acatado na noite desta quarta-feira (4) pelo juiz Rinaldo Kennedy Silva, da vara especializada de Crimes Contra a Mulher. A medida prevê multa de R$ 10.000 por dia para os criadores da ferramenta caso a decisão não seja cumprida.
Em resposta ao Lulu, mineiros criam "Bolinha" para avaliar garotas
De acordo com o magistrado, o acesso e a instalação do aplicativo devem ser bloqueados tanto nas redes sociais quanto nos navegadores usados em smartphones. Ou seja, além de não permitir o acesso pelo Facebook, as lojas online GooglePlay e AppStore não poderão disponibilizar o Tubby para download. O prazo para o cumprimento é de cinco dias.
O juiz entendeu que "há receio de dano irreparável ou de difícil reparação, uma vez que depois de ofendida a honra de uma mulher por intermédio do mencionado aplicativo, não haverá como repará-la".
A advogada Fernanda Vieira de Oliveira, da Frente de Mulheres das Brigadas Populares, acredita que o app é uma forma de violência contra a mulher.
— O nosso argumento foi que existe o risco iminente de que o Tubby fosse usado como instrumento de prática de violência contra a mulher.
A defensora, que entrou tanto no masculino quanto na versão feminina, o Lulu, diz que a diferença entre os dois é grande.
— O app para os homens é muito agressivo e foca na avaliação do desempenho sexual. O Lulu faz referências apenas ao universo feminino.
O pedido teve como fundamento a Lei Maria da Penha, visando a proteção dos direitos das mulheres, e está sujeito a recurso.
Criação e polêmica
O nome Tubby é uma referência ao personagem que no Brasil ficou conhecido como Bolinha, amigo da Lulu. O “clube do Bolinha” promete manter a confidencialidade das avaliações feitas às mulheres por meio do aplicativo.
Alguns especialistas em tecnologia afirmam que realizar a exclusão do seu perfil por meio do site seria apenas uma cilada criada pelos desenvolvedores para “roubar” os dados das garotas. Explicando: ao realizar a exclusão a usuária precisa estar logada no Facebook, permitindo acesso às informações pessoais cadastradas na rede social.
Em sua página no Facebook, a equipe do Tubby rebate a acusação de que estaria coletando dados com o objetivo de vendê-los.
— Não queremos "roubar" seus dados, nem usar para outros fins, peço que vocês fiquem tranquilo [sic]. Todos os dados vinculados ao app, serão usados EXCLUSIVAMENTE no app, repetido : não estamos interessados em seus dados , e não é uma fachada para coleta de dados. Vocês homens e mulheres, que se cadastraram/descadastraram no nosso site, fiquem tranquilos, seus dados estão a salvo e serão somente utilizados para gerenciamento app.















