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Laudo conclui que militante político foi torturado e executado pela ditadura

O mineiro Arnaldo Rocha, de 23 anos, foi vítima de uma emboscada da polícia em 1973

Minas Gerais|Do R7

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Arnaldo foi assassinado aos 23 anos de idade
Arnaldo foi assassinado aos 23 anos de idade
Corpo foi exumado em agosto, 40 anos depois da morte
Corpo foi exumado em agosto, 40 anos depois da morte

O laudo entregue hoje à família do militante político mineiro Arnaldo Cardoso Rocha, morto na época da ditadura, em 1973, comprova que ele foi torturado e executado. O corpo de Rocha, que tinha 23 anos na época do crime, foi exumado em agosto deste ano a pedido da Comissão Nacional da Verdade.

Os trabalhos foram realizados por peritos criminais da comissão e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e constatou que ele foi assassinado com pelo menos 15 disparos de arma de fogo, quando provavelmente já estava imobilizado após torturas. A conclusão contraria a versão dada pela polícia na época, que alegou que o jovem estava envolvido em tiroteio com os militares.


Na época da morte do integrante do ALN (Aliança Nacional Libertadora), o laudo produzido pelo IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo não indicou os dois tiros fatais dados no crânio da vítima. Além disso, omitiu as marcas de tortura encontradas nos ossos de suas mãos e pés. No momento da exumação do corpo, os especialistas já verificaram imprecisões do documento, já que no caixão do jovem foram achados projéteis de arma de fogo.

As informações foram apresentadas em Brasília nesta quarta-feira (11) durante o Fórum Mundial dos Direitos Humanos. A integrante da comissão, Rosa Cardoso, ressaltou a importância da participação das famílias das vítimas da ditadura.


Relembre o caso

O corpo de Rocha foi exumado em agosto deste ano. Segundo informações passadas pela família, havia indícios de que o jovem foi torturado e morto em uma delegacia de São Paulo depois de uma emboscada DOI - CODI do II Exército.


Ainda segundo a família, que acompanhou os trabalhos, a intenção não é pedir indenização ao governo pela morte, mas descobrir a verdade e pedir a punição dos torturadores. Na época, Iara Xavier, ex-mulher do militante, ressaltou que a verdade poderia aparecer quatro décadas depois.

— São 40 anos de incerteza, e a gente nessa luta. Essa incerteza é eterna. Qualquer fratura que tenha tido, maus-tratos, vamos conseguir recuperar e contrapor a versão oficial. Ou não, porque se não houver nenhuma marca, não teremos a informação.

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