Logo R7.com
RecordPlus

Mãe e esposa relatam alívio após piloto sobreviver à queda de avião na Grande BH

Gustavo Monteiro Couto, de 29 anos, recebeu alta do Hospital João 23 e já está em casa

Minas Gerais|Luiz Casoni, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O piloto Gustavo Monteiro Couto sobreviveu à queda de um avião monomotor na zona rural de Mateus Leme, em Minas Gerais, e já recebeu alta do hospital.
  • O acidente ocorreu quando o avião perdeu potência e começou a pegar fogo; Gustavo conseguiu realizar um pouso de emergência utilizando o paraquedas integrado da aeronave.
  • O reencontro com a família foi emocionante, com a mãe e a esposa expressando alívio e gratidão pela sobrevivência de Gustavo.
  • Apesar do susto, Gustavo não sofreu ferimentos graves e planeja continuar sua carreira de piloto, valorizando ainda mais os momentos com a família.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O piloto foi levado ao hospital por ter inalado muita fumaça, mas não sofreu ferimentos graves
O piloto foi levado ao hospital por ter inalado muita fumaça, mas não sofreu ferimentos graves Reprodução/RECORD Minas

O piloto Gustavo Monteiro Couto, de 29 anos, já está em casa depois de sobreviver à queda de um avião monomotor na zona rural de Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele recebeu alta do Hospital João 23 horas após o acidente e deixou a unidade de saúde acompanhado da família. O piloto foi levado ao hospital por ter inalado muita fumaça, mas não sofreu ferimentos graves.

O acidente aconteceu na manhã desta terça-feira, durante um voo entre o Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e Bom Despacho, no Centro-Oeste de Minas, onde a aeronave passaria por manutenção. Segundo o próprio piloto, o avião perdeu potência durante o trajeto e começou a pegar fogo. Gustavo conseguiu afastar a aeronave da área urbana de Mateus Leme, procurou uma região de mata para o pouso de emergência e acionou o paraquedas integrado ao avião, que reduziu o impacto da queda.


Depois do acidente, o reencontro com a família foi marcado pela emoção. A mãe do piloto, Jeane de Castro, disse que o sentimento é de alívio e gratidão por ele ter conseguido sair da aeronave antes que o fogo se espalhasse.

“É um alívio ver ele assim, uma chance que poucos têm, de ter o paraquedas e de conseguir tirar o avião de cima da comunidade local, pousar e sair antes que ele pegasse fogo”, afirmou.


A esposa de Gustavo, Brenda Couto, contou que só soube da queda depois que o marido já estava em segurança. Segundo ela, foi o próprio piloto quem conseguiu avisá-la por telefone, usando o aparelho de uma pessoa que ajudava no local.

“Ele já pegou o telefone do moço que estava lá ajudando e já me ligou e falou: ‘Olha, eu estou bem, eu caí, mas estou bem’. Aí já liguei para a empresa para resolver tudo, mas graças a Deus ele está bem”, relatou Brenda.


Gustavo é piloto desde 2015 e era o único ocupante da aeronave no momento da queda. Ele contou que seguiu todos os procedimentos de emergência na tentativa de recuperar a potência do motor, mas decidiu acionar o paraquedas quando percebeu que a fumaça dentro da cabine dificultava o controle do avião.

O sistema, conhecido como CAPS, é integrado ao modelo Cirrus e, quando acionado, lança um grande paraquedas que faz a aeronave descer de forma controlada até o solo. Especialistas explicam que o dispositivo já foi acionado centenas de vezes em aeronaves desse modelo e é considerado um importante recurso de segurança em situações de emergência.


Apesar do susto, Gustavo saiu do acidente sem nenhum arranhão. Após receber alta, ele retornou para casa e reencontrou a esposa e o filho do casal, que completa dois meses nesta quarta-feira (26). O piloto afirmou estar agradecido por ter sobrevivido e disse que pretende seguir na profissão, agora ainda mais consciente da importância de aproveitar os momentos ao lado da família.

Como aconteceu

O avião, de matrícula PR-VMI, caiu em uma área de mata no Distrito de Serra Azul, em Mateus Leme. O avião havia decolado do Aeroporto da Pampulha e realizava um voo intermunicipal para uma manutenção de rotina. Durante o trajeto, a aeronave apresentou uma pane, seguida de uma pequena explosão e um princípio de incêndio. O piloto, único ocupante, acionou o paraquedas da própria aeronave e realizou um pouso de emergência.

Após a queda, moradores retiraram o piloto do avião em segurança. Conforme os bombeiros, ele estava consciente e orientado, sem escoriações e sem queixas de dores. Após atendimento em uma UPA da região, ele foi encaminhado pelo SAMU para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

Para onde o avião seguia

O aeroporto da Pampulha confirmou que a aeronave decolou de Belo Horizonte, por volta das 7h45 de terça-feira (25). Segundo o piloto, o objetivo era chegar em Bom Despacho, a 160 km da capital mineira, para uma manutenção de rotina de troca de óleo.

Segundo a assessoria do aeroporto, durante a operação de decolagem, não houve qualquer comunicação entre o piloto e a Torre de Controle do Aeroporto da Pampulha relatando emergência, pane ou outra ocorrência.

Paraquedas acionado por foguete

O paraquedas acionado pelo piloto não funciona como os equipamentos usados individualmente por paraquedistas. No modelo Cirrus SR22, o dispositivo faz parte de um sistema de segurança desenvolvido para permitir que toda a aeronave desça de paraquedas em uma situação de emergência.

Segundo Estevan Velásquez, piloto e instrutor da Cirrus Aircraft, o paraquedas não é apenas um acessório instalado no avião. “Diferentemente do que muita gente pensa, não é um acessório que esse avião tem, o paraquedas. No caso específico do Cirrus, a aeronave inteira foi desenvolvida e fabricada em volta de um sistema de salvar vidas”, explica.

O acionamento é feito pelo próprio piloto por meio de uma alavanca instalada no teto da cabine. Ao puxá-la, um foguete é ativado e retira o paraquedas do compartimento onde fica armazenado, permitindo que ele seja aberto rapidamente. “O paraquedas tem um foguete para puxar esse paraquedas para fora, justamente para ele abrir o mais rápido possível, você perder a menor altitude possível e poder usar esse paraquedas o quanto antes”, afirma Velásquez.

O sistema não se limita ao paraquedas. Segundo o instrutor, diferentes componentes do avião são projetados para ajudar a absorver a energia do impacto quando a aeronave chega ao solo.

“A aeronave inteira foi feita e estruturada em volta do sistema do paraquedas. A gente tem desde amortecedores que seguram a queda, no caso da rodinha da frente, que a gente chama de bequilha. A gente tem bancos com um forro específico, que a gente chama de colmeia de alumínio, também para amortecer. Os pilotos têm airbag nos cintos”, detalha.

Estado de saúde do piloto

Após o ocorrido, Gustavo foi atendido no Hospital João XXIII, por ter respirado muita fumaça, mas já recebeu alta e está bem. Gustavo conta que no momento do acidente se esforçou para tirar a aeronave de cima da cidade de Mateus Leme, para evitar algo pior.

“Tive uma perda de potência e quando vi que não teria mais controle da aeronave, tirei ela de cima da cidade de Mateus Leme e procurei um lugar melhor para um pouso de emergência. Aí vi que estava pegando fogo, aciono o paraquedas e esperei o impacto no chão. Aí saí do avião e ele pegou fogo, porque ainda estava com muito combustível”, conta Gustavo.

Ao sair da aeronave, sem ferimentos, o piloto conta que procurou ajuda de moradores da região. “Eu pedi socorro não porque estava em perigo, mas para tomar água porque eu estava com a garganta seca, me deram água, me colocaram em um carro e me levaram para um posto de saúde onde fui bem atendido”.

Histórico na aviação

Segundo Gustavo, a primeira carteira dele para pilotagem foi em 2015, mas antes disso ainda trabalhou em outras áreas da aviação. “Trabalhei em várias áreas da aviação desde angar, administração, hoje me encontro em uma empresa na Pampulha, que me deu o treinamento da aeronave. Foram vários meses voando com outro piloto do lado, fazendo todos os procedimentos, para ter esse êxito”.

Após o susto, o piloto contou, ainda, que o filho dele completa dois meses de vida nesta quarta-feira (26), e que está muito feliz por nada pior ter acontecido e poder celebrar a data ao lado da família. “Estava doido para ver ele, ir lá e comemorar. E amanhã estamos pilotando de novo”, completa Gustavo.

Caso parecido em 2023

Um acidente envolvendo uma aeronave do mesmo modelo do avião que caiu em Mateus Leme, terminou sem feridos há três anos. Em março de 2023, um Cirrus SR22 perdeu potência durante um voo na Grande BH e o piloto acionou o paraquedas da própria aeronave. As seis pessoas que estavam a bordo, entre elas duas crianças, saíram ilesas.

O caso aconteceu em 11 de março de 2023, na região do bairro Morro Vermelho, entre Sabará e Caeté. A aeronave, de matrícula PS-VAC, transportava quatro adultos, uma criança de 3 anos e um recém-nascido de apenas três dias. Segundo informações divulgadas na época, o avião sofreu uma perda abrupta de potência do motor durante o voo.

O piloto chegou a tentar procedimentos para recuperar o funcionamento e decidiu retornar ao Aeroporto da Pampulha, de onde havia decolado. Durante a tentativa, porém, o comandante percebeu que a aeronave não teria altitude e alcance suficientes para chegar à pista apenas planando. Diante da situação, decidiu acionar o sistema de paraquedas do avião.

Foi então que o piloto acionou o paraquedas. O dispositivo permitiu que o avião realizasse uma descida controlada e chegasse ao solo com menor impacto. As seis pessoas que estavam a bordo ficaram conscientes e orientadas e não apresentaram ferimentos. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros destacou que o sistema foi fundamental para reduzir a gravidade da ocorrência.

FAB irá investigar

A Força Aérea Brasileira (FAB) enviou investigadores para apurar as circunstâncias da queda do avião. Integrantes do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), com sede no Rio de Janeiro, foram acionados para realizar a chamada Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave de matrícula PR-VMI.

Nesta primeira etapa, profissionais fazem a coleta e a confirmação de dados sobre a ocorrência. Também são verificados os danos sofridos pela aeronave ou provocados por ela, além de outras informações consideradas relevantes para a investigação, que busca identificar possíveis fatores que tenham contribuído para a ocorrência e evitar casos semelhantes.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.