Maria Bethânia encanta o público no Palácio das Artes com quase 50 canções
Turnê comemorativa dos 50 anos de carreira passou por Belo Horizonte
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7

Se pudessem subir no palco, cada uma daquelas pessoas iria abraçar e agradecer Maria Bethânia pelo show da noite e pelo que ela representa em suas vidas. Na segunda apresentação para um Palácio das Artes lotado, na noite deste sábado (9), Bethânia e sete músicos apresentaram "Abraçar e Agradecer", a turnê de celebração dos 50 anos de carreira desta voz inconfundível da canção brasileira.
Bárbara e doce, Bethânia tem sob os pés descalços um chão de estrelas que se desenrola no infinito ate explodir. O palco é um retângulo feito de telas, onde aparecem projeções do espaço, rosas vermelhas, marés, nuvens, imagens do campo ou um tapete vermelho. Tudo calculado conforme o momento do show, feito para ela pisar com gentil firmeza.
Leia mais notícias de Minas Gerais no Portal R7
O primeiro ato tem a Bethânia amorosa e consagrada cantando Caetano Veloso ("O eterno em Mim", "A Tua Presença Morena") Chico Buarque ( "Tatuagem", "Rosa dos Ventos"), Gonzaguinha ("Começaria Tudo Outra Vez" e o bis "O que É, O que É?") Tom Jobim ( "Dindi"), Dominguinhos ("Gostoso demais"), enquanto o segundo destaca o sagrado, com a fé nos orixás ("Abraçar e Agradecer", "Vento de Lá", "Doce", "Mãe Maria"), a natureza e o tom regionalista que marca suas gravações recentes ("Eu, a viola e Deus", Xavante", "Casa de Caboclo", "Viver na Fazenda").
Aos gritos da plateia de "diva", "deusa" e "linda", ela se move à vontade e deixa os instrumentistas Jorge Helder, Túlio Mourão, Paulo Dafilin, Pedro Franco, Marcio Mallard, Carlos Cesar e Marcelo Costa se sentirem em casa com arranjos eficientes.
Antes das recentes "Eu te Desejo Amor" e "Silêncio", aparecem pérolas do irmão Caetano ("Motriz", "Tudo de Novo", "Nossos momentos"), Dorival Caymmi ("Oração da Mãe Menininha"), Arnaldo Antunes ("Alegria") e Chico César ("Dona do Dom"), todas devidamente emendadas umas nas outras, com apenas um intervalo entre os atos. A ponte entre elas é tecida com textos de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Waly Salomão, Carmen Oliveira e da própria Bethânia.
Como todo espetáculo que pretenda percorrer 50 anos de carreira, muito ficou de fora (nenhuma dos discos "Álibi" ou "Talismã"). Também poderia haver espaços para improvisos ou a troca de algumas canções a cada apresentação.
No finzinho, durante "Non Je Ne Regrette Rien", Bethânia declama a tradução da letra e faz qualquer um acreditar que aquelas palavras são um resumo irônico para os 50 anos de carreira ("Não me arrependo de nada. Está pago, varrido, não estou nem aí pro passado. Nem do bem que me fizeram, nem do mal, tudo isso tanto faz") e sua proposta para os que virão ("recomeço do zero, minha vida, minhas alegrias, recomeçam com você"). Não há quem não aceite.















