Minas Gerais MG: CPI ouve servidores da saúde que tentaram burlar investigação

MG: CPI ouve servidores da saúde que tentaram burlar investigação

Em áudio, ex-chefe de gabinete disse para servidores em "home office" passarem a ir presencialmente para evitar "exposição"

Ex-chefe de gabinete da Saúde, João de Pinho, teria tentado manipular situação de servidores

Ex-chefe de gabinete da Saúde, João de Pinho, teria tentado manipular situação de servidores

Pedro Gontijo/Imprensa MG

O ex-chefe de gabinete da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), João de Pinho, e o ex-assessor chefe da Comunicação da pasta, Everton Luiz Lemos de Souza, serão ouvidos pela CPI dos Fura-fila nesta quinta-feira (29). A comissão investiga possíveis irregularidades no processo de vacinação de servidores da saúde do Governo de Minas. 

João de Pinho e Everton Luiz foram demitidos após vazamento do áudio de uma reunião com a equipe da comunicação da secretaria. Na ocasião, eles teriam acordado com outros dois servidores que foram vacinados contra a covid-19, que eles deixassem o "home office" para evitar "exposição". 

A gravação sugeria uma estratégia para evitar questionamentos por parte dos órgãos que investigam o caso, como a própria CPI dos Fura-Fila. O então chefe de gabinete da secretaria ainda relata que iria avaliar a mudança de um resolução da pasta que trata sobre o regime de trabalho para evitar os questionamentos.

Gravação

Em um trecho do áudio, um homem que se apresenta como o chefe de gabinete explica que a preocupação surgiu enquanto respondia a um ofício sobre as investigações do possível caso de fura-filas na secretaria. 

Não fica claro na gravação se a resposta seria enviada à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia de Minas ou ao Ministério Público Estadual, que apuram as denúncias.

[A resposta] "fala que dois trabalhadores mantêm regime de teletrabalho. Ela tenta explicar que é de forma escalonada, por vezes presencial, mas a minha opinião, quando leio isso no cenário que vivemos, acho que tem uma chance muito grande de vocês dois serem expostos por causa da forma como está colocado aqui", diz uma pessoa identificada como sendo o chefe de gabinete.

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Depoimentos

Nesta semana, a diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), Janaína Fonseca Almeida, não compareceu a uma sessão da CPI, em que seria ouvida na condição de testemunha. Ela alegou que responde a um processo administrativo na CGE (Controladoria-Geral do Estado) e que, por isso, não poderia responder às questões dos deputados. 

Janaína é uma das três servidoras que respondem a um processo no âmbito da CGE, que investiga as irregularidades no processo de vacinação ocorrida entre servidores da SES-MG. Os deputados apresentaram requerimento para que ela seja convocada para comparecer em uma nova sessão mas, dessa vez, na condição de investigada, e não mais na de testemunha. 

A CPI dos Fura-Fila da Vacinação foi instalada no dia 17 de março, nove dias após o R7 revelar que a pasta teria vacinado servidores fora dos grupos prioritários previstos na campanha de imunização. Desde então, diversas pessoas prestaram depoimento na comissão, dentre elas a promotora de Justiça Josely Ramos, responsável pela investigação do caso no MP e o presidente do Cosems-MG (Conselho de Secretários Municipais de Saúde de Minas Gerais), Eduardo Luiz da Silva.  

Além do caso da vacinação dos servidores, a CPI deve investigar, ainda, os investimentos do Estado na saúde, que foram cortados mesmo durante a pandemia de covid-19. 

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