"Motorzinhos" não são esterilizados na rede pública, dizem dentistas
Recomendação partiu de uma circular da Prefeitura de Belo Horizonte
Minas Gerais|Do R7, com Record Minas

Um dos aparelhos que mais causa medo nos pacientes virou motivo de preocupação também para os dentistas. A caneta de alta rotação, conhecida como "motorzinho", virou alvo de polêmica em Belo Horizonte.
O instrumento, que sai sujo de sangue após as cirurgias de extração de dentes, não precisam ser esterilizados a cada procedimento, segundo documento da Prefeitura de BH. A denúncia partiu de profissionais da rede pública. Em uma circular, o município explicou que o processo de limpeza, chamado de autoclavagem, provoca desgaste na caneta, obrigando uma reposição periódica.
No mesmo documento a prefeitura reconhece que apenas duas das quatro unidades de saúde realizam a esterilização. A medida passou a valer no dia 26 do mês passado. Profissionais da saúde, que preferiram não se identificar, ficaram indignados.
— Esse tipo de material sai extremamente contaminado da cirurgia porque está em contato direto com a mucosa ferida, com osso, sangue, pedaços de dente. A gente entende que esse material tem que ser esterilizado.
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Ainda segundo a denúncia são feitas pela Prefeitura de Belo Horizonte 6.600 cirurgias por ano. Os dentistas afirmam que sem a esterilização pacientes correm riscos de contrair doenças infectocontagiosas, como hepatite e até HIV.
A Anvisa foi questionada sobre o problema. Em um e-mail enviado à Secretaria Estadual de Saúde os especialistas são favoráveis aos questionamentos dos dentistas. Em outra mensagem, a SES informa a Vigilancia Sanitaria Municipal de BH sobre a importância e obrigatoriedade da esterilização.
Os dentistas acreditam que a determinação seria uma foram de economia.
— Parece ser uma economia porque cada profissional tem que ter um número maior desse instrumental para conseguir ter o giro, conseguir esterilizar adequadamente. O que nós descobrimos com essa circular é que tem alguns centros que não estão esterilizando e o profissional só tem uma caneta e usa para todas as cirurgias.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que as canetas de alta rotação passam por processo de limpeza, são desinfetadas e recebem barreiras de proteção descartável para cada paciente atendido. Conforme o órgão, esse procedimento obedece às orientações da Vigilância Sanitária.















