Minas Gerais MP denuncia candidato por trocar votos por material de construção

MP denuncia candidato por trocar votos por material de construção

Vice-prefeito de Perdizes (MG), Vinicius de Figueiredo Barreto, é candidato à prefeitura e, desde 2019, estaria distribuindo materiais em troca de votos

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Vice-prefeito é candidato em Perdizes

Vice-prefeito é candidato em Perdizes

Reprodução/Prefeitura de Perdizes

O MPE (Ministério Público Eleitoral) denunciou o vice-prefeito e candidato a prefeito de Perdizes, Vinicius de Figueiredo Barreto (Cidadania), a 420 km de Belo Horizonte, o secretário de Obras do município, dois servidores e dois empresários locais por crimes eleitorais. 

A denúncia foi baseada na operação "Voto de Cabresto", deflagrada em outubro deste ano. As investigações começaram depois que o MPE recebeu uma informação de que dois servidores públicos comissionados (ou seja, em cargos de confiança) da Prefeitura de Perdizes estariam cobrando apoio político de outros servidores por meio de uma lista.

Essa cobrança, inclusive, de acordo com o MPE, era feita para que essas pessoas se manifestassem publicamente pelo apoio a Vinicius Barreto, que concorre, agora, ao cargo de prefeito da cidade.

De acordo com a denúncia, os servidores ameaçavam os eleitores para colocarem adesivos de propaganda eleitoral em seus carros sob pena de serem exonerados de seus cargos.

Investigações

Durante a operação, o MPE encontrou e apreendeu as listas com os nomes dos servidores e os adesivos para veículos, além dos celulares dos servidores denunciados.

De acordo com o Ministério Público Eleitoral, os documentos apreendidos também deram indícios da existência de um esquema de desvio de dinheiro público, corrupção eleitoral e captação ilícita de votos, por parte do vice-prefeito e atual candidato à prefeitura que começou no ano passado.

Ainda segundo o MPE, as investigações mostraram que o suspeito havia doado materiais de construção para formar um "curral eleitoral" em Perdizes. Esse esquema contava com a participação de um ex-prefeito local e dois empresários do ramo da construção civil.

Mensagens de texto e áudio armazenadas no celular dos investigados sugerem, ainda, a prática de uma série de crimes.

Vinicius Barreto, por exemplo, deve responder por associação criminosa, coação eleitoral, organização criminosa, peculato e corrupção eleitoral.

Pedido de prisão

A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do vice-prefeito de Perdizes e dos dois servidores comissionados denunciados no esquema. O argumento é de que, soltos, eles continuavam a ter acesso à prefeitura.

No entanto, o Código Eleitoral veta a prisão de qualquer candidato no intervalo de 15 dias antes das eleições. A exceção à regra é um eventual caso de flagrante.

No entanto, o MPE pediu a cassação da chapa encabeçada Vinicius Barreto por compra de votos. O Minsitério Público ressalta, ainda, que os eleitores que solicitaram ou receberam a doação dos materiais de construção em troca de voto também deverão ser responsabilizados criminalmente pela prática do crime de corrupção eleitoral passiva.

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