MP denuncia diarista por latrocínio de casal de idosos em BH e inclui comerciante por fraude
Além do latrocínio, o MP atribui à acusada fraude processual e furto mediante fraude
Minas Gerais|Fábio Galdino, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou, nesta quarta-feira (29), a diarista Paola Stefany Neto Cirino pelos crimes de latrocínio, fraude processual e furto mediante fraude pela morte do casal de idosos Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, ocorrida em 29 de junho, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O comerciante Leonardo do Nascimento também foi denunciado por furto mediante fraude, acusado de participar do esquema para utilizar os cartões bancários das vítimas após o crime.
Na decisão que a RECORD Minas teve acesso, de acordo com a denúncia assinada pelo promotor Mauro da Fonseca Ellovitch, Paola teria planejado o crime após descobrir que o casal possuía boa condição financeira. Conforme o documento, ela foi indicada para trabalhar na residência das vítimas e decidiu dopá-las com comprimidos de clonazepam colocados em um suco para facilitar o roubo dos bens.
Segundo o MPMG, depois que os idosos perderam a capacidade de reação, a acusada começou a recolher dinheiro, joias, relógios de luxo, celulares, perfumes, roupas, cartões bancários com as senhas anotadas e outros objetos de valor. Ainda conforme a denúncia, Cláudio acordou enquanto Paola retirava os bens do apartamento e foi atacado com uma faca. O Ministério Público afirma que ele recebeu 43 facadas na face, no peito e no abdômen, inclusive uma que atingiu o coração.
Na sequência, conforme a peça acusatória, Paola decidiu matar também Maria Clotilde para garantir a consumação do roubo e evitar ser identificada. O documento descreve que ela tentou inicialmente asfixiar a vítima utilizando uma almofada embebida em thinner e, diante da resistência da idosa, desferiu ao menos 15 facadas na face, pescoço, tórax e mão direita. As duas vítimas morreram em decorrência dos ferimentos.
Após as mortes, o Ministério Público afirma que a diarista voltou a recolher os objetos de valor do apartamento e tentou dificultar o trabalho da perícia. Conforme a denúncia, ela lavou a faca utilizada no crime, limpou o imóvel com água sanitária e desinfetante, cobriu os corpos, trocou a roupa ensanguentada por peças pertencentes à vítima Maria Clotilde e descartou a blusa usada durante o crime em uma caçamba de entulho antes de deixar o local.
Ainda segundo o MPMG, Paola seguiu para o Centro de Belo Horizonte, onde vendeu rapidamente joias, relógios e outros bens por valores abaixo do mercado. A denúncia aponta que ela também foi até um restaurante na Rua Carijós, onde combinou com Leonardo do Nascimento a utilização fraudulenta de um dos cartões bancários pertencentes a Cláudio Atala Inácio. O acordo previa que 60% do dinheiro obtido ficaria com Paola e 40% com Leonardo. As transações renderam R$ 3,1 mil, segundo o Ministério Público.
Depois, conforme a denúncia, a acusada ainda comprou um telefone celular em uma loja de eletrodomésticos, retornou para Ribeirão das Neves para buscar o filho e algumas roupas e seguiu para um hotel em Itabira, de onde pretendia fugir para outro estado. Ela acabou localizada e presa pela Polícia Civil antes de deixar Minas Gerais.
Na conclusão da denúncia, o Ministério Público pede a condenação de Paola por dois crimes de latrocínio, ambos com agravantes por emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas, uso de meio cruel e pelo fato de os ofendidos terem mais de 60 anos. Ela também foi denunciada por fraude processual e furto mediante fraude. Leonardo responde por furto mediante fraude em concurso com a diarista. O órgão ainda requer que seja fixado valor mínimo para reparação dos danos causados à família das vítimas.
O MPMG também solicitou o desmembramento da investigação em relação a três receptadores dos objetos roubados, para possível celebração de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).
Relembre o crime
O casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foi encontrado morto dentro do apartamento onde morava, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, no dia 29 de junho
As investigações da Polícia Civil apontaram que a principal suspeita era a diarista Paola Stefany Neto Cirino, contratada para realizar uma faxina no imóvel. Ela foi presa em um hotel na cidade de Itabira, poucas horas após o crime, quando, segundo a investigação, tentava fugir com o filho para outro estado.
Durante a apuração, a Polícia Civil recuperou parte dos bens roubados, identificou pessoas que compraram os objetos levados do apartamento e concluiu que a motivação do crime foi patrimonial. Conforme a investigação, após matar o casal, Paola vendeu relógios, joias e outros pertences por valores muito abaixo do mercado, utilizou cartões bancários das vítimas e tentou apagar vestígios da cena do crime antes de fugir.
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