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MP denuncia torcedor argentino por racismo no Mineirão, em BH, e pede indenização

Nahuel Jeremias Maldonado foi denunciado cinco dias após Cruzeiro x Boca Juniors; promotor ainda quer proibição de frequentar jogos

Minas Gerais|Pablo Nascimento, da RECORD MINAS

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Nahuel Jeremias Maldonado responde em liberdade e usa tornozeleira Reprodução/RECORD MINAS

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou, neste domingo (3), o torcedor argentino Nahuel Jeremias Maldonado, de 29 anos, pelo crime de racismo. O caso aconteceu durante a partida entre Cruzeiro e Boca Juniors, pela Libertadores, na noite da última terça-feira (28), no estádio Mineirão, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Segundo a denúncia, o apoiador do Boca Juniors estava no setor da torcida visitante, ao lado da Tribuna de Imprensa, quando fez gestos de cunho racial direcionados à torcida brasileira presente no estádio.


Uma testemunha afirma que Nahuel passou a mão no próprio braço, em referência à cor da pele de brasileiros, e projetou as orelhas para frente, gesto que, segundo a Promotoria, simulava um macaco. O caso está com a 18ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Igualdade Racial, Apoio Comunitário e Controle Externo da Atividade Policial de Belo Horizonte.

Na denúncia, o promotor de Justiça Angelo Alexandre Marzano afirma que as condutas são reconhecidas no Brasil como formas de animalização de pessoas, associadas a características físicas de cunho racial.


“Ao praticar tais condutas em ambiente público, com grande concentração de pessoas e em contexto de atividade esportiva profissional – circunstâncias que necessariamente potencializam sua repercussão e gravidade - o denunciado Nahuel Jeremias Maldonado ofendeu o decoro e a dignidade da coletividade brasileira ali presente", apontou o promotor na peça de acusação.

Pedidos

O Ministério Público pediu à Justiça que, em caso de condenação, Nahuel seja obrigado a pagar indenização de ao menos 10 salários mínimos por danos morais causados à coletividade.


A Promotoria também pediu que o torcedor tenha os direitos políticos suspensos e seja proibido de entrar em locais de realização de jogos oficiais de futebol em Minas Gerais pelo período de dois anos.

O promotor também descartou a possibilidade de acordo de não persecução penal, ou seja, de suspensão condicional do processo.


Na manifestação, o Ministério Público citou entendimento do STF segundo o qual esse tipo de acordo não deve abranger crimes raciais. Para a Promotoria, a análise dos motivos e da conduta social do denunciado impede a concessão do benefício.

“Os motivos que levaram à incitação do preconceito contra pessoa negra necessitam de reprovação singular – já que ofensas gratuitas a uma etnia tem, invariavelmente, o claro intuito de fomentar o estigma social de um grupo para que este seja cada vez mais marginalizado e levado ao descrédito. Com efeito, a doutrina da superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, e que não existe justificação para a discriminação racial, em teoria ou na prática, em lugar algum", ressaltou o promotor no texto.

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No dia do jogo, Nahuel foi preso em flagrante, mas acabou solto para responder em liberdade sob algumas condições.

Entre as medidas impostas pela Justiça estão manter o endereço atualizado, não frequentar o Mineirão por seis meses e não sair de casa das 20h às 6h em dias úteis. Aos fins de semana e feriados, ele não pode sair de casa em nenhum horário. As restrições valem pelo prazo de 90 dias.

A Justiça também determinou o uso de tornozeleira eletrônica.

Nahuel nasceu em Córdoba, na Argentina, mas vive em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte há dois anos. Ele tem trabalho fixo no Brasil.

O torcedor diz que é inocente. Ele alegou que o sinal feito com o braço é um xingamento de cunho sexual usado na Argentina, mas sem conotação racial.

Sobre o gesto com as mãos nas orelhas, afirmou que tentava indicar que não estava ouvindo a torcida adversária. Ato, que segundo ele, é comum no país vizinho no meio esportivo. O homem alegou, ainda, que o sinal teria sido criado pelo ex-jogador Juan Román Riquelme, em referência ao rato Topo Gigio, personagem infantil favorito da filha dele.

O caso agora será analisado pela Justiça e o denunciado terá prazo para apresentar resposta à acusação. A reportagem tenta contato com os advogados do estrangeiro.

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