MP investiga desvio de R$ 223 mil do SUS para hospital particular
Juíza determinou o bloqueio de bens de funcionários que estariam envolvidos no esquema; atual e ex-secretário de saúde estão entre os investigados
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) investiga o desvio de R$ 223.294,95 do SUS (Sistema Único de Saúde), que teriam sido repassados ilegalmente para um hospital que pertence a uma entidade filantrópica da cidade Guarani, na Zona da Mata mineira, a 276 km de Belo Horizonte.
No dia 28 de fevereiro, a juíza Maria Cristina de Souza Truli determinou o bloqueio de bens de seis pessoas que, segundo o MP, seriam as operadoras do esquema.
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Entre eles, está a ex e o atual secretário de Saúde e quatro funcionários da instituição — sendo dois gestores.
De acordo com a promotoria, o Hospital dr. Armando Xavier Vieira prestava serviços para a rede pública na cidade, realizando atendimentos médicos e de internação. Porém, empregados da instituição teriam lançando no sistema do governo a realização de internações que não ocorreram, gerando o prejuízo entre janeiro de 2017 e junho de 2018.
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A denúncia aponta que a Secretaria Municipal de Saúde seria a responsável legal por administrar os pedidos de internação, por meio de um sistema online do Governo. Um médico da rede pública deveria cuidar dos acessos, contudo, funcionários do hospital particular estariam fazendo o lançamento dos atendimentos.
Procurada, a advogada Aline Ladeira, responsável pela defesa dos citados na investigação, informou que não tem autorização para se manifestar sobre o assunto.
A Secretaria Municipal de Saúde de Guarani declarou que “não tinha conhecimento de possíveis fraudes em internações ou quaisquer outros procedimentos realizados” no hospital.
Em nota, a pasta informou que “a internação é um ato médico e não cabe a Secretaria de Saúde do Município questionar” os procedimentos.
A secretaria ainda ressaltou que “todo o esforço é realizado pela Prefeitura de manter o Pronto Atendimento 24 horas, pagando integralmente com recursos próprios e que está à disposição fazer a verdade aparecer. Se os dados eram omitidos, a Administração Municipal não tinha condições suficientes para detectar estes possíveis erros. Por isso, estas acusações do MP ao ex e ao atual secretário de Saúde do Município, não têm nenhum fundamento”.
A reportagem também tentou falar com o ex-diretor do hospital que é investigado, mas não teve retorno. O gestor também é defendido por Aline Ladeira, que se recusou a comentar a denúncia.
















