MPF denuncia donos da Embraforte por golpe milionário contra a Caixa
Empresários adulteravam documentos para ficar com dinheiro de caixas eletrônicos
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou os donos da transportadora de valores Embraforte por prejuízo de R$ 8,8 milhões à Caixa Econômica Federal. O prejuízo ao Banco do Brasil pode chegar a R$ 22 milhões.
A denúncia de formação de quadrilha e pecultado foi aceita pela 9ª Vara da Justiça Federal da 1ª Região. Com a decisão, os empresários Marcos André Paes de Vilhena e seus filhos, Marcos Felipe Gonçalves de Vilhena e Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena, se tornaram réus, além do gerente Mário Pereira de Carvalho e do supervisor de Tesouraria, Lucas Alves Pereira.
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Marcos André Paes de Vilhena é irmão da ex-secretária de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Renata Vilhena (2003-2014). Ele e Marcos Felipe Vilhena estão foragidos. Pedro Henrique Vilhena está preso desde o dia 3 de setembro em São Paulo (SP). Caso sejam condenados, as penas podem chegar a 15 anos de prisão.
O esquema
Segundo a denúncia, o dinheiro que deveria abastecer terminais da Caixa era desviado pela quadrilha. O desfalque foi descoberto em setembro de 2013, quando o banco percebeu uma diferença de R$ 1,6 milhão entre o valor entregue à Embraforte e o dinheiro efetivamente depositado. Somente em outubro, 41 caixas eletrônicos deixaram de ser abastecidos. Os donos da Embraforte foram notificados a explicar as diferenças, mas não responderam aos questionamentos da Caixa Econômica Federal, que ajuizou ação cautelar.
No dia de cumprimento da ordem de busca e apreensão, a empresa só tinha R$ 1,9 milhão dos R$ 4,7 milhões que eram devidos ao banco. No mesmo dia, Mário Pereira e Lucas Alves retiraram R$ 740 mil do cofre da empresa e guardaram o dinheiro em sacos de pano para evitar que as cédulas fossem apreendidas pela Justiça. A informação foi confirmada por funcionários à Polícia Federal.
Destino do dinheiro
O Ministério Público Federal aponta que os valores desviados pelos empresários foi transferido para contas pessoais em bancos diferentes e parte foi usada para pagar despesas e tributos da Embraforte.
Uma das empresas do grupo, a RRJ Transporte de Valores, teria sido adquirida com parte do dinheiro retirado da Caixa. Outro braço da Embraforte, a Transsafe, também teria sido usada no esquema. Para ocultar os desvios, segundo o MPF, os acusados manipulavam informações, determinando aos seus empregados que inserissem dados falsos nos relatórios diários que eram enviados à Caixa, pelo qual o banco exercia o controle.
A empresa também é investigada por manter empregados em situação análoga à de escravo e por não pagar débitos trabalhistas aos ex-funcionários, que tentam o bloqueio de bens da empresa na Justiça.
Os advogados dos réus não foram encontrados para se pronunciar sobre as denúncias.















