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Negros em Minas Gerais têm 2,4 mais chances de ser assassinados, aponta Ipea

Estudo relaciona racismo e desigualdade social; detentos negros são quase o dobro no País

Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7

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Confiança na polícia cai pela metade entre negros, que são maioria no sistema carcerário
Confiança na polícia cai pela metade entre negros, que são maioria no sistema carcerário

O negro tem 2,4 mais chances de ser assassinado em Minas Gerais do que não-negros. A estatística compõe o estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) "Vidas Perdidas e Racismo no Brasil" divulgada nesta terça-feira (19), que aponta raízes desde o período da escravidão para a população afro-brasileira ainda ser alvo de discriminação e, por consequência, ter menos acesso a serviços e ter mais probabilidade de se envolver em crimes.

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O dia da Consciência Negra, lembrado na quarta-feira (20), terá eventos por todo o Brasil em que a lembrança do racismo ajuda a explicar inúmeros problemas da realidade nacional.

No documento, os pesquisadores Daniel Cerqueira e Rodrigo de Moura apontam que a falta história de políticas destinadas a ex-escravos e seus descendentes colocaram esta população em situação de pobreza e risco social, com maior prevalência de atos violentos.


Em média, no Brasil, a taxa de homicídio de negros é de 36,5 para cada 100 mil grupo de habitantes. Este número cai para 15,5 entre os não negros (índice 2,35, assim como a média em Minas Gerais). Em Alagoas, chega a impressionantes 17,4.

A taxa de detentos negros no país é de 261,2 para 100 mil. Os não-negros representam 180,9 a cada 100 mil nesta estatística.


O racismo também provoca a insegurança: segundo dados do IBGE, a partir do Censo 2010 e do Pnad 2009, entre as vítimas de agressão que não procuraram a polícia, 61,8% são negros. Entre os não-negros, a taxa cai para 38,2%. Os principais motivos apontados são o medo de represálias ou o fato de não acreditar na instituição militar.

Segundo os pesquisadores do Ipea, o racismo ainda é um fator considerável para a menor expectativa de vida de populações afro-descendentes no Brasil.

— O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele. Tais discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros vis-à-vis o resto da população.

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