Ong acusa Prefeitura de BH de maus-tratos contra capivaras da Pampulha
Cerca de metade dos 52 animais apreendidos em 2014 já teria morrido
Minas Gerais|Márcia Costanti, do R7

O Movimento Mineiro Pelos Direitos dos Animais registrou um boletim de ocorrência nesta sexta-feira (6) contra a Prefeitura de Belo Horizonte. A organização pede que a Polícia Civil apure supostos maus-tratos que estariam ocorrendo contra capivaras que viviam no entorno da Lagoa da Pampulha e estariam sendo mantidas em cativeiro desde setembro do ano passado.
Segundo a representante do movimento, Adriana Araújo, 52 animais foram capturados no ano passado. Eles deveriam passar por esterilização com o objetivo de conter o contágio de febre maculosa, provocada pelo carrapato estrela. As capivaras são hospedeiras naturais do transmissor da doença. No entanto, conforme a denúncia, a prefeitura estaria mantendo os bichos presos e sem acesso à lagoa.
— Nós temos 22 especialistas em animais silvestres, entre veterinários e biólogos. Desde o início eles alertaram que era arriscado manter esses animais presos. Em dezembro ficamos aflitos e ainda mais preocupados com as capivaras, por causa da seca.
Sem sinalização da PBH de que haveria a soltura dos animais, o Movimento procurou o Ministério Público no dia 23 de janeiro e solicitou que fosse feita uma visita técnica para conferir a situação do local onde eles estão sendo mantidos. Adriana ressalta, no entanto, que não houve posicionamento por parte da instituição. Sem saída, os integrantes da organização comunicaram a prefeitura que fariam o encontro nesta sexta-feira (6). No entanto, por volta de 17h do dia anterior, receberam a informação da Secretaria de Meio Ambiente de que a reunião não estava autorizada.
— A pergunta é: o que eles estão escondendo? Temos o maior especialista do Brasil em manejo populacional de capivaras, Dr. Tarcísio Rego de Paula. Ele nos explicou que as capivaras são animais sentinela, elas precisam ser mantidas na lagoa porque são indicadores da quantidade de carrapatos, agem como preventivo.
Ainda conforme Adriana, a "omissão e indiferença" da PBH com relação ao bem estar das capivaras afeta a todos.
— Temos uma expressão europeia que é Saúde Única, que determina que todos sejam tratados igualmente: humanos, animais e todo o resto do meio ambiente, como montanhas e mananciais. A indiferença com um destes atores compromete todos os outros em efeito cascata.
A integrante da organização afirmou que a PC deve apurar a situação em parceria com a Polícia Militar do Meio Ambiente e verificar se há crime ambiental.
A Prefeitura de Belo Horizonte informou que "está tudo dentro do programado" para dar início ao processo de esterilização das capivaras. Ainda conforme a instituição, haverá uma reunião com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para marcar o procedimento. Sobre supostas mortes dos animais, a PBH argumentou que ocorreram de "forma natural" e que alguns animais já estavam doentes quando foram levados para o cativeiro. O órgão relatou que pediu ao Ministério Público os nomes dos técnicos que vão acompanhar a visita para que ela seja feita de forma reduzida e "não cause estresse aos animais".















