Pais que se vestem de super-heróis por filho com câncer motivam doações de medula
Família organiza passeata em Juiz de Fora, na Zona da Mata, para divulgar campanha
Minas Gerais|Márcia Costanti, do R7

A história de vida e superação do pequeno Paulo Fernandes, de cinco anos, emocionou a população de Juiz de Fora, na Zona da Mata, em 2013. Na época com três anos, o garotinho foi diagnosticado com leucemia linfoide aguda e passou a enfrentar uma dura rotina entre exames e longas estadias no hospital. Ele deu a volta por cima com a ajuda do pai, que se transformou em “super-herói” para amenizar a dor do filho. Octávio Fernandes passou a se vestir como o personagem Senhor Incrível e, com a companhia da mulher, animava os dias do tratamento. Paulinho recebeu alta e voltou à vida normal mas, há cerca de dez dias, veio o baque com a notícia de que a doença voltou.
Mesmo diante deste “vilão”, a família demonstrou mais uma vez seus “superpoderes” e mobilizou a população da cidade em uma campanha de doação de medula óssea, essencial para a recuperação de Paulinho. Orgulhosa da força do filho, a mãe da criança, Paula Chagas, ressalta que ele é “guerreiro” e se transformou em um “rosto carismático” na luta de tantos outros pacientes.
— Esse menino tem mel, ele é guerreiro. Tivemos a confirmação do diagnóstico e logo minha cunhada deu início à campanha #JuntosPeloPaulinho. Criaram um grupo no Facebook e foi crescendo numa rapidez incrível e veio esta campanha imensa para conseguirmos não só o salvador dele mas de tantas outras crianças.
A manifestação de carinho e preocupação com Paulinho tomou uma proporção tão grande que os efeitos já começam a aparecer: as doações de amostras de medula no Hemominas de Juiz de Fora se multiplicaram e aproximadamente 1.200 pessoas já abraçaram a causa. Agora, os familiares organizaram uma caminhada no município marcada para este domingo (17). O evento começa às 10h, no campus da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e tem como objetivo esclarecer as principais dúvidas que ainda rondam as pessoas quando se trata do assunto.
Paula explica que o menino estava em fase de manutenção do tratamento quando apresentou sintomas da recaída. Agora, Paulinho está hospitalizado para o novo ciclo de quimioterapia. Médicos e familiares aguardam os níveis dos componentes do sangue da criança ficarem estáveis novamente para que sejam feitos testes de compatibilidade com o meio-irmão mais velho, de 22 anos, e com o caçula, de dois anos e meio. Para os pais, enfrentar a doença tem sido mais doloroso, já que agora ele compreende o que acontece a sua volta e expõe os sentimentos de forma mais clara.
— Ele está sentindo mais as coisas, agora já descreve exatamente o que está sentindo, como dor de cabeça, enjoo, diarriea, já expressa para a gente, então é pior para ele e para nós também. O transplante é fundamental porque, mesmo que a quimioterapia consiga a cura novamente, não é garantia de que ele ficará zerado para sempre.
Mas nem mesmo os momentos mais complicados desanimam os pais “incríveis”, que prometem repetir a dose e promover novas surpresas para o filho.
— Nos aguardem! No dia que ele receber alta, vai ter algo especial, sim. Sempre tem!















