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Perfil de mineira criada por IA que enganou seguidores é retirado do ar

Mulher “fake” já tinha mais de 300 mil seguidores e publicava vídeos convidando eles para morar com ela em uma fazenda

Minas Gerais|Arnon Gonçalves, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O perfil "Jéssica Fazendeira", criado por Inteligência Artificial, foi removido após enganar seguidores, acumulando mais de 300 mil seguidores.
  • O perfil publicava vídeos convidando seguidores a morar em uma fazenda, prometendo uma vida tranquila, e interagia com comentários.
  • Um pedreiro do Maranhão viajou para Minas Gerais para conhecer a suposta mulher, descobrindo que era uma criação virtual.
  • Perfis assim são usados para monetização, como divulgação de produtos, e podem enganar pessoas menos familiarizadas com tecnologia.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Perfil com mais de 300 mil seguidores foi retirado do ar Reprodução/REDES SOCIAIS

O perfil da “Jéssica Fazendeira”, mulher criada por Inteligência Artificial que enganou vários seguidores se passando por uma pessoa real, foi retirado do ar. Ainda não se sabe se o perfil caiu após denúncias ou foi removido por quem administrava a página. O caso veio à tona depois que um pedreiro revelou ter acreditado que se tratava de uma mulher de verdade, e viajou do Maranhão até Minas Gerais para conhecê-la, gastando todo o salário.

Nos vídeos, a suposta mineira aparecia sempre em uma fazenda, convidando os seguidores para morar com ela. Lá, ela prometia que eles teriam uma vida farta e tranquila. As postagens recebiam muitos comentários de pessoas tentando interagir com a IA.

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Veja algumas das postagens:

Promessas

O perfil, que acumulava mais de 300 mil seguidores, antes de ser retirado do ar, mostrava uma mulher loura, sempre com um fundo rural. Nas imagens era possível ver caminhonetes, celeiros e até animais. Nos discursos, ela contava uma história de que morava na região e estava em busca de alguém: “estou me sentindo tão sozinha. Mas todos os homens com que eu converso, quando falo que moro na roça eles param de responder. Eu não entendo porque disso, morar na roça também é uma vida digna. As vezes eu falo que vou pagar pra eles virem, mas não adianta”, contava a suposta mineira.

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Outras vezes, ela deixava claro o público que pretendia atingir, com conteúdos voltados mais para homens. “Quero muito um homem aqui na minha fazenda, mandando em mim, pra eu cuidar dele, pra eu mostrar a mulher raiz que eu sou. Gosto de ficar passando roupa, limpando a casa, fazendo um bolo com café quente. É o meu sonho”, dizia nos vídeos.

No final de todos os vídeos, a mulher pedia para que as pessoas comentassem se eles tinham ou não coragem de ir morar com ela.“Eu vou sustentar você, se você vier morar comigo aqui no interior de Minas. Eu posso te dar vida de rei, basta você comentar aqui se você quer ou não”

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Para convencer os seguidores, ela dizia que achava a cidade grande muito barulhenta e que escolheu morar na fazenda. Além disso, contava que tinha um filho que cresceu no lugar e depois se mudou para a Suiça. Entre um vídeo e outro, quem administra a página aproveitava para inserir propagandas de lojas virtuais.

Pedreiro enganado

O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, teve uma surpresa ao sair do Maranhão para conhecer a amada, em Minas Gerais. Até então, ele só havia visto a mulher por vídeos publicados nas redes sociais. Ao chegar em Belo Horizonte, na capital mineira, se assustou: a mulher era, na verdade, feita por inteligência artificial.

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O pedreiro disse que por estar sozinho há um tempo, e querer construir um relacionamento, acreditou nos vídeos e decidiu fazer a viagem para conhecer a mulher. Mesmo sem saber o suposto endereço dela, resolveu viajar para Belo Horizonte, a 2 mil km de distância, onde imaginou que ela poderia estar. “Vim porque me deu a curiosidade de conhecer a pessoa que estava mandando mensagem pra mim, pra ver se era verdade mesmo”, conta.

Na capital mineira, Edimar foi em vários lugares procurando quem pudesse ajudá-lo a encontrar a tal mulher. Na cidade, ele foi alertado por outras pessoas de que possivelmente havia sido enganado. “A gente pode até desconfiar, mas quando a pessoa está na solidão, na tristeza, a gente acaba acreditando”, desabafa.

Alerta

Marcos Flávio, professor e especialista em inteligência artificial, explica que esse tipo de vídeo já é criado pensando em atingir um determinado público. “Pessoas mais carentes, que não entendem muito de tecnologia, não sabem diferenciar se é um vídeo falso ou não. E o que dá mais confiabilidade é que eles [as vítimas] mandam mensagem para o perfil e eles recebem uma resposta na hora, as vezes até personalizada. E isso passa uma impressão de que eles estão conversando com uma pessoa real. E muitas vezes não é uma pessoa real que está por trás, é um chat bot, uma inteligência artificial”.

Uma dúvida que fica para muitas pessoas é o que as pessoas por trás desses perfis ganham com isso. No caso do pedreiro do Maranhão, a mulher que aparece nos vídeos não pede dinheiro, mas divulga produtos. “Esses perfis são feitos para monetizar de diversas formas. Hoje é muito comum as pessoas criarem perfis de IA para ganhar seguidores e depois revender o perfil, ou para anunciar produtos. E muitos usam até deep fakes, usando vídeos com rostos de pessoas famosas, para tentar atrair outros idosos e fingir que são reais”, explica Flávio.

Por isso, ao se deparar com um vídeo suspeito nas redes sociais é importante ficar atento a alguns sinais, como as vozes, iluminação estranha e movimentação artificial.

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