Poeira e solo em Mariana estão contaminados com metais pesados
Segundo laudo contratado pela Secretaria de Estado de Saúde indica que a contaminação está associada ao rompimento da barragem da Samarco
Minas Gerais|Marina Avelar*, do R7, com Record TV Minas

Após quatro anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana a 110 km de Belo Horizonte, um estudo apontou que o solo e a poeira originada da lama de rejeitos, em Mariana e Barra Longa, estão contaminados com metais pesados.
O EARSH ( Estudo de Avaliação de Risco à Saúde Humana) foi feito por uma empresa de engenharia, a pedido da CT-Saúde (Câmara Técnica da Saúde). O documento mostra que oito distritos das duas cidades foram afetados.
O laudo tinha como objetivo informar a comunidade sobre as preocupações que a lama poderia causar na saúde humana. A pesquisa foi finalizada em março e o resultado foi entregue à Fundação Renova, instituição criada para administrar as ações de reparação dos danos causados pelo rompimento. O órgão, por sua vez, encaminhou o documento para o Governo de Minas em maio deste ano.
Procuradas, a Renova e a Ses (Secretaria Estadual de Saúde) confirmaram a existência do estudo, informaram que os dados ainda estão sendo concluídos e que os laudos vão ser publicados assim que estiverem prontos. Ainda segunda a pasta, no dia primeiro de novembro ficou determinada a adoção de uma série de medidas para acelerar o atendimento às famílias.
Veja a íntegra da nota da Secretaria de Saúde:
"Em decorrência do rompimento da Barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, em 2015, foi solicitada pela Câmara Técnica da Saúde (CT-Saúde) a elaboração de Estudo de Avaliação de Risco à Saúde Humana (EARSH) com o objetivo de atender às preocupações da comunidade e diagnosticar as implicações na saúde humana.
Em 7 de agosto de 2019 foram protocolados junto à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) os relatórios e íntegra dos documentos referentes ao EARSH produzido pela Ambios, contratada pela Fundação Renova.
O relatório encontra-se em análise por uma equipe multisetorial da SES/MG. Vem sendo elaborado um Plano de Ação que contemple a adoção de todas as medidas de curto, médio e longo prazo necessárias para minorar os danos causados. Ambos os materiais serão publicizados assim que as análises sobre eles forem concluídas.
Em paralelo à atuação estatal, com objetivo de dar celeridade e foco ao processo, em 1º de novembro, foram debatidos e acordados eixos prioritários contendo ações de reparação de curto prazo. Participaram da reunião Advocacia-Geral da União, Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Ministério Público do Estado do Espírito Santo, Governo de Minas Gerais e Governo do Espírito Santo.
Um dos eixos prioritários refere-se ao risco à saúde humana. Foram definidas ações de curto prazo com objetivo de direcionar a atuação da Fundação Renova, que se pronunciará sobre os prazos apresentados para implementação das ações até a próxima sexta-feira (8/11).
Entre as ações que integram o eixo referente ao risco à saúde humana, estão:
- Apresentação plano para a contratação de profissionais para atuar no programa de atenção e vigilância a saúde nos municípios de Mariana e Barra Longa.
- Contratação e execução de estudo toxicológico para análise da exposição humana e de efeitos para os compostos determinados como contaminantes de interesse para os municípios de Mariana e Barra Longa.
- Ampliação da rede de assistência para Saúde Mental, respeitada a metodologia prevista na política de saúde mental do Ministério da Saúde e as diretrizes apresentadas pelos gestores municipais.
- Adoção de medidas para redução de poeiras com ênfase na higienização das residências situadas nas localidades atingidas pela lama de rejeitos e equipamentos públicos.
- Estruturação das equipes para fortalecimento dos sistemas de informação dos municípios atingidos.
- Realização de estudo epidemiológico de morbimortalidade para os municípios atingidos.
- Estruturação dos laboratórios de análise de qualidade da água para consumo humano dos 36 municípios mineiros atingidos.
Informamos ainda que a Secretaria de Saúde presta assistência integral pela rede SUS a todos os cidadãos que apresentam problemas de saúde de qualquer natureza.
Veja a íntegra da nota da Renova:
"A Fundação Renova informa que contratou estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e ao meio ambiente que estão sendo complementados para se tornarem conclusivos. Os dados estão sendo avaliados juntamente com o governo do estado de Minas Gerais e as prefeituras de Mariana e Barra Longa.
Os estudos têm por objetivo identificar se há concentração de elementos químicos no ambiente que possam representar potenciais riscos à saúde da população e sua relação com o rompimento da barragem de Fundão. Os resultados ajudarão na definição de ações e responsabilidades junto às regiões impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão. A Fundação Renova esclarece que o Estudo de Avaliação de Risco à Saúde Humana foi realizado nos termos da Deliberação CIF 106 de 2017.
Em cumprimento à Nota Técnica 11/2017, todos os dados, informações e relatórios produzidos pelo estudo são proibidos de serem publicados pelas instituições contratadas e pela Fundação Renova, sem autorização das autoridades públicas.
A Fundação esclarece ainda que os estudos apresentados pela Ambios foram realizados nas áreas diretamente atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana e Barra Longa, e não tiveram por objetivo estabelecer correlação entre os resultados encontrados e o rompimento.
O estudo integrado de avaliação de risco à saúde e meio ambiente, realizado pelas empresas TecnoHidro e Grupo EPA, por sua vez, analisou áreas atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão e regiões que não foram atingidas, mas que têm condições físicas semelhantes e apresentou um número de amostras maior. Foi incluída, ainda, a avaliação de concentrações históricas da região.
A partir desses dois estudos - que passaram por uma revisão por pares para controle de qualidade - se faz necessário discutir, junto ao Poder Público, os resultados encontrados e o aprofundamento dos mesmos para definição de eventuais ações nas áreas de saúde e do meio ambiente."
* Estagiária do R7, sob supervisão de Pablo Nascimento















