Polícia Civil vai investigar 61 manifestantes detidos durante ato em BH
Grupo foi para a delegacia após confronto com a PM em protesto contra aumento da passagem
Minas Gerais|Do R7

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar os 61 manifestantes que foram presos durante o protesto contra o aumento das passagens em Belo Horizonte, na última quarta-feira (12). De acordo com a assessoria de imprensa da corporação, o caso ficará sob a responsabilidade da delegada Cláudia de Proença Marra, da 4ª Delegacia do Centro.
A Polícia Militar encerrou os boletins de ocorrência no final da tarde desta quinta-feira (13) e todos os envolvidos foram autuados por dano e desobediência. Além dos 61 adultos detidos, dois menores foram apreendidos. O caso dos adolescentes, de 17 anos, será apurado pela 1ª Delegacia Especializada de Apuração do Ato Infracional. Conforme a PC, todos serão intimados para prestar depoimento em "momento oportuno".
A prisão dos manifestantes aconteceu após um conflito com a PM. Durante o protesto pacífico, militares do Batalhão de Choque dispararam balas de borracha e bombas para dispersar a multidão. Dez pessoas ficaram feridas pelos projéteis, incluindo um repórter fotográfico do jornal O Tempo, que teve a perna atingida.
Segundo o comandante do Choque, Gianfranco Caiafa, isso foi feito em resposta a pedras que teriam sido arremessadas pelos manifestantes em direção aos policiais. Não foi divulgado, até agora, registro em vídeo dos supostos ataques feitos pelos manifestantes.
— Até então, nós não tínhamos usado força. Eles mesmos começaram a nos a atacar. Eu fui o primeiro a tomar pedrada e minha mão está machucada.
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Ainda durante a confusão, um grupo de jovens que participava do ato tentou se refugiar em um hotel localizado na rua da Bahia, entre a avenida Augusto de Lima e Afonso Pena. A polícia cercou os manifestantes no estabelecimento e todos foram detidos sob a acusação de dano contra o patrimônio.
Em nota, o Governo de Minas Gerais informou que "determinou uma apuração rigorosa dos fatos". No comunicado, o Estado diz que "reitera também sua posição de garantir o direito democrático de livre manifestação, assim como o de ir e vir de todos cidadãos, e a não tolerância com agressão a agentes públicos no exercício de sua função".
O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais acusou a PM "desproporcional uso da força" por atacar "com bombas e balas de borracha jovens e adolescentes que seguiam em ato pacífico contra o aumento das passagens no transporte coletivo". A entidade destacou que "não aceita a violência contra a imprensa livre. O ataque e intimidação a jornalistas é temerário no Estado democrático de direito, tendo em vista a necessidade de preservação da liberdade de expressão e das garantias constitucionais da atividade jornalística".
A OAB/MG "lamenta a ação enérgica, desrespeitosa e truculenta em face de estudantes e jornalistas ocorridos na noite desta quarta-feira (...) Os atos de violência configuram um atentado ao Estado Democrático de Direito, em especial porque também foram relatados casos de cerceamento de defesa aos advogados".
A Defensoria Pública, que entrou com uma ação para tentar suspender o aumento das tarifas, esteve na Ceflan (Central de Flagrantes) durante a madrugada e acompanhou a liberação dos manifestantes, que vão responder em liberdade já que se trata de "suposta prática de crimes de menor potencial ofensivo". O órgão garantiu que vai auxiliar na defesa dos detidos.















