Policiais são suspeitos de vender celulares para presos por até R$ 15 mil
Detento denunciou esquema em uma carta
Minas Gerais|Do R7 com Record Minas

O Ministério Público, a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) e a Polícia Civil de Minas Gerais apuram denúncias de venda de celulares dentro do presídio de São Joaquim de Bicas II, na região metropolitana de Belo Horizonte. Funcionários da unidade prisional, detentos e policiais civis estariam envolvidos no esquema criminoso.
Uma advogada e um agente penitenciário, que preferem não ser identificados, denunciaram a negociata que envolve muito dinheiro. Segundo o agente, o valor de cada aparelho que é negociado dentro da unidade prisional pode chegar a R$ 15 mil. Ele ainda conta que telefones também seriam alugados dentro da instituição.
— Preso que tem poder aquisitivo, compra celular e espalha na cadeia. E é alugado por hora. O valor gira em torno de R$ 500.
De acordo com as denúncias, funcionários do presídio e policiais civis estão envolvidos.
— O próprio preso que caiu no esquema, já alegou que os diretores é que recebem, que o esquema é dos diretores. Os policiais recebiam por fora só pra retirá-lo da unidade.
A entrada ilegal de aparelhos celulares dentro do presídio foi descoberta no dia 26 de agosto. A descoberta do caso começou quando um detento foi flagrado com celulares na revista enquanto voltava de uma saída autorizada e com escolta da Polícia Civil.
— Foi encontrado aí três celulares, cinco chips e dois carregadores.
O detento envolvido denunciou o caso em uma carta. Temendo as ameaças, o preso pediu transferência para outro presídio. O agente penitenciário ainda acusa a direção de querer incriminar funcionários na negociata.
— A direção da unidade continua lá, forjando oitiva, forjando documentos, tentando incriminar os agentes que estavam no dia.
Os denunciantes disseram que o esquema estaria acontecendo desde março deste ano e que seria muito difícil precisar quantos aparelhos já entraram. Pelo menos quatro detentos estariam envolvidos no caso. A advogada, que prefere não se identificar, entregou uma série de documentos à Corregedoria do Estado, ao Ministério Público de Igarapé e à delegacia de São Joaquim de Bicas para registrar a denúncia.
— Quem não está cumprindo o trabalho são as autoridades, que se comprometeram a afastar a diretoria, se comprometeram comigo, e até hoje não houve nenhum posicionamento.
Por meio de nota, a Seds informou que os fatos estão sendo apurados de forma sigilosa e que agora não vai se pronunciar. A Polícia Civil informou que o delegado Diego Nolasco, da delegacia de São Joaquim de Bicas, abriu um inquérito para apurar as denúncias, mas o caso corre em segredo de Justiça. O mesmo aconteceu no Ministério Público de Igarapé, no qual foi instaurado um inquérito no mês de setembro e as investigações também correm em sigilo.
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Para Fábio Piló, presidente da Comissão Especial de Assuntos Carcerários da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ainda é cedo para adotar qualquer tipo de medida.
— A gente conta com a possibilidade de uma falsa comunicação de crime por parte das pessoas privadas de liberdade, até mesmo, como forma de retaliar o diretor de uma cadeia. Então, é um pouco temerário o afastamento, sem que as informações sejam devidamente apuradas.















