Professores de escolas particulares de BH fazem paralisação e ameaçam greve
Categoria questiona o reajuste salarial de até 5% proposto pelos empregadores
Minas Gerais|Carlos Ortega*, da RecordTV Minas

Os professores de escolas particulares de Belo Horizonte, representados pelo Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro), se reuniram em assembleia na manhã desta terça-feira (24) e rejeitaram, por unanimidade, o reajuste salarial proposto pelo Sindicato das Escolas Particulares (Sinep) para o ano de 2022.
Durante o encontro, o Sinpro também aprovou estado de greve para a categoria. Caso as negociações não avancem, há possibilidade de paralisação das aulas da rede de ensino particular a partir do mês de junho.
Segundo o Sinpro, o reajuste proposto, de 5% para a educação básica e 4% para o ensino superior, está abaixo da inflação oficial e há uma tentativa das escolas particulares de tirar direitos dos professores.
Outras propostas do Sinepe incluem o fim da indenização para professores que tiverem a carga horária reduzida e a criação de uma cláusula de "controle alternativo de jornada", que permitiria as escolas a não registrar ou pagar horas extras.
Após a assembleia, os professores realizaram uma manifestação em frente ao prédio do Sinepe. No dia 1º de junho, a categoria realizará um novo encontro para definir os rumos do Sindicato. Parte dos professores já paralisou as atividades nesta terça-feira.
Em nota, o Sindicato das Escolas Particulares informou que continua as negociações com os professores e dialoga por um acordo que contemple todas as partes.
Veja a nota do Sinepe na íntegra:
As interações entre o SinepeMG e os sindicatos representativos dos profissionais que trabalham nas instituições particulares de ensino, tanto os docentes, quanto os administrativos, se encontram em plena interação em suas negociações. Estivemos reunidos em vários encontros onde as partes expuseram seus interesses e suas expectativas pontuais, e desenvolvemos, de acordo com as diretrizes alinhadas entre as nossas instituições de ensino associadas, as tratativas que envolvem as demandas das partes.
Estamos todos impactados pelas consequências promovidas pela pandemia durante os últimos períodos: escolas fechadas por dois anos; instituições, historicamente tradicionais, encerrando suas atividades; profissionais perdendo seus empregos e seus trabalhos (não somente os profissionais das escolas, mas, também das atividades que dependem do funcionamento destas, como transporte de estudantes, cantinas, empresas de material escolar e uniformes, profissionais autônomos e comércios do entorno das instituições de ensino, entre outras), pais transferindo seus filhos para o sistema público por conta da crise econômica; prejuízos pedagógicos nos processos de ensino e de aprendizagem dos estudantes; entre tantas outras.
Cerca de 90% das instituições associadas à nossa entidade se constituem de micro e pequenas empresas que ficaram muito afetadas por causa do impacto da queda do capital de giro e do fluxo de caixa neste período de pandemia, em função das consequências acima citadas. Sabe-se que este aspecto, em organizações de pequeno porte, exclusivamente dependentes de uma dinâmica econômica razoavelmente favorável, requer uma atenção redobrada na gestão de seus custos e recursos, para que estes sejam suficientes para uma sustentabilidade que promova uma boa qualidade na oferta e na entrega dos serviços educacionais às famílias e aos estudantes e, consequentemente, na manutenção dos empregos e de todo o bom e seguro andamento das atividades em geral.
Temos, historicamente, anos de ótimas negociações que permitiram o desenvolvimento de nosso segmento educacional, de forma a permitir a prosperidade dos profissionais e das instituições de ensino, no nível do reconhecimento de Minas Gerais como um estado de excelência educacional. Tanto por causa da qualidade de suas escolas, quanto de seus professores e de todos os seus profissionais de educação. Acreditamos que tudo isto seja fruto da maturidade das partes neste processo. Seja quanto ao entendimento de suas responsabilidades, seja no comprometimento junto à maior interessada no sucesso de nosso entendimento: a sociedade que se utiliza dos nossos serviços de alta qualidade.
Por isto mesmo, entendemos que, com o histórico de bom senso que possuímos nessas tratativas, e face aos desafios enfrentados por todos neste contexto - instituições particulares de ensino, professores e demais profissionais - chegaremos a um bom termo nessas negociações, com todas as partes sendo contempladas, de forma equilibrada, quanto às nossas demandas, limitações, necessidades e expectativas de sustentabilidade e desenvolvimento contínuos.















