Rejeito de barragem atinge casas em Santa Bárbara (MG)
A Fundação Estadual do Meio Ambiente informou que um auto de infração será lavrado contra a empresa após avaliação dos danos
Minas Gerais|Rosildo Mendes, Da Record TV Minas
Rejeitos da barragem CDS II da Mina Córrego do Sítio, da mineradora AngloGold Ashanti, em Santa Bárbara, na região Central de Minas Gerais, atingiram casas que ficam abaixo da estrutura. O derramamento do material ocorreu, segundo os moradores, entre os dias 21 e 26 de dezembro. De acordo com a empresa, o material estava em estado seco, depositado em pilha de estéril e atingiu as residências vizinhas, após as chuvas dos últimos dias.

Roseni Aparecida Ambrósio Silvério, moradora da Vila Carrapato, afirma que o quintal de sua casa foi tomado pela lama da barragem, e que os rejeitos começaram a surgir no dia 21, quando a empresa AngloGold Ashanti enviou técnicos para avaliar o material.

"O cheiro da lama é muito forte. Eu estava andando no terreno de botas para avaliar os estragos. Comecei a sentir tonturas e a fazer vômitos. Fui levada para uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), onde fui atendida. A médica me disse que era intoxicação", conta.
Roseni disse ainda que a empresa prometeu fazer a limpeza do terreno, mas que só permitiria a retirada do material após militares do meio ambiente registrarem um Boletim de Ocorrência, o que ainda não ocorreu.
Barragem
A barragem tem 82 metros de altura, 540 metros de comprimento e capacidade de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos. É quase o mesmo volume da barragem que se rompeu em Brumadinho, na Região Metropolitana, no dia 25 de janeiro de 2019.

Vídeos e fotos enviados à Record Minas, mostram o acumulo de lama cinza no quintal das casas na Vila Carrapato.
Em nota enviada para os moradores, a mineradora informou que houve um incidente ambiental na Unidade de Córrego do Sítio - CDSII. Devido às chuvas dos últimos dias houve um carreamento do material depositado pilha de estéril/rejeito para a drenagem de jusante. A maior parte do material ficou contida dentro da propriedade da empresa, contudo uma parte residual foi identificada no Córrego a jusante das estruturas de contenção controle, chegando na comunidade de Carrapato.
O material é classificado como não perigoso e as ações de limpeza já estão em andamento. Informou ainda que o NEA (Núcleo de Emergências Ambientais da FEAM) foi avisado sobre o evento. Em caso de dúvidas, os moradores da região podem entrar em contato com o canal de relacionamento: 0800 72 71 500.
Já a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) explicou que foi comunicada do episódio por meio do Núcleo de Emergência Ambiental (NEA), que técnicos estiveram no local e constataram que "o episódio é proveniente da pilha de estéril e não da barragem".
"A empresa já iniciou a limpeza do material que ficou retido nas margens do córrego do carrapato. Foi determinado pelo NEA que seja realizada a caracterização do resíduo bem como a limpeza de todo o local atingido. Além disso, foi realizada entrevista com os moradores e dada orientação ao empreendedor que verifica a possibilidade de remoção das famílias mais atingidas até que seja concluída a limpeza", disse a fundação em nota.
O órgão informou ainda que um "auto de infração será lavrado contra a empresa após avaliação dos danos causados."















