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Relação marcada por violência psicológica antecedeu morte de capitã da PM, diz investigação

Segundo a Polícia Civil, testemunhas relataram episódios de violência moral e psicológica, além de um relacionamento marcado por términos e reconciliações.

Minas Gerais|Wagner de Oliveira, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7

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Testemunhas ouvidas durante a autuação relataram que o casal vivia uma relação marcada por constantes términos e reconciliações
Testemunhas ouvidas durante a autuação relataram que o casal vivia uma relação marcada por constantes términos e reconciliações RECORD Minas/ Reprodução

As investigações sobre a morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, passaram a apontar um histórico de relacionamento abusivo entre a vítima e o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, preso em flagrante por feminicídio.

Segundo a Polícia Civil, testemunhas ouvidas durante a autuação relataram que o casal vivia uma relação marcada por constantes términos e reconciliações, além de episódios de violência psicológica e moral supostamente praticados pelo militar contra a companheira.


Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (21), o capitão Rafael Veríssimo, da Polícia Militar, afirmou que a corporação prestou apoio às investigações desde o momento em que o Hospital Odilon Behrens comunicou a entrada da oficial já sem vida e com múltiplas lesões pelo corpo. No local, o sargento foi abordado e, segundo a PM, tentou descartar 18 comprimidos de ecstasy no lixo de um banheiro, situação que também resultou em prisão em flagrante por tráfico de drogas.

À polícia, o militar alegou que a esposa teria caído de uma escada após uma confraternização na residência do casal, onde, segundo ele, houve consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas. Ainda conforme a versão apresentada, a capitã teria recusado atendimento médico, e somente horas depois ele percebeu que ela não respondia aos estímulos, levando-a ao hospital.


No entanto, de acordo com a Polícia Civil, a quantidade e a gravidade das lesões encontradas no corpo da vítima levantaram suspeitas sobre essa versão.

O delegado responsável pela coletiva destacou que havia uma lesão contundente na face da capitã e uma pluralidade de ferimentos incompatíveis, em um primeiro momento, com a narrativa apresentada pelo investigado. Os laudos periciais da residência, do veículo utilizado para transportar a vítima e do exame necroscópico ainda estão em elaboração e serão fundamentais para esclarecer a dinâmica do crime.


Segundo a investigação, os depoimentos colhidos até o momento reforçam um contexto de violência doméstica. “Consta também do auto de prisão em flagrante que o casal tinha uma relação de idas e vindas, de términos e recomeços. Há também a descrição de atos de violência psicológica e de violência moral praticados pelo autor em relação à vítima”, afirmou o delegado durante a coletiva.

Com base nos elementos reunidos até agora, a Polícia Civil ratificou a prisão em flagrante do sargento pelo crime de feminicídio, cuja pena varia de 20 a 40 anos de prisão. As investigações seguem em andamento e devem incluir novas oitivas, análises periciais e coleta de provas para esclarecer todas as circunstâncias do caso.


Além do contexto de violência doméstica, o capitão Rafael Veríssimo informou que o sargento possui dois registros anteriores de ocorrência por agressão contra mulheres, datados de 2014 e 2016. Esses casos não envolvem a capitã Michele e, conforme as autoridades, não resultaram em condenação. As investigações prosseguem para apurar a motivação e a dinâmica do crime.

O que diz a defesa

A defesa do policial militar informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados e já está acompanhando integralmente a apuração.

Neste momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes.

A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento.

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