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‘Respiro aliviada hoje’ diz vítima de ex-diretor de penitenciária preso por crimes sexuais

O autor foi sentenciado por crimes de importunação, assédio sexual, perseguição e violência psicológica

Minas Gerais|Giovana Riggio*, do R7, Raquel Penaforte e Nash Castro, da RECORD Minas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Valdeci Pereira Maciel, ex-diretor-adjunto da Penitenciária de Ibirité, foi condenado a mais de 62 anos de prisão por crimes sexuais contra servidoras.
  • Ele usava o cargo para chantagear e assediar sexualmente as funcionárias, ameaçando-as com perda de pontuação funcional.
  • As denúncias das vítimas foram formalizadas na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, com provas como depoimentos e registros de mensagens.
  • A sentença trouxe alívio e validação do sofrimento para as vítimas, reforçando a importância do apoio mútuo entre mulheres.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Diretor de penitenciária em Ibirité é condenado a mais de 62 anos de prisão Reprodução/RECORD Minas

“Eu respiro aliviada hoje, eu respiro justiça, sabe? Essa condenação veio como uma quebra de amarras, veio como a minha liberdade, mesmo nunca tendo sido presa.” O desabafo da policial penal, marca o desfecho de um período conturbado de constrangimentos e intimidações sofridos no ambiente de trabalho.

O ex-diretor-adjunto da Penitenciária de Ibirité, na Grande BH, Valdeci Pereira Maciel, foi condenado pela Justiça de Minas Gerais a uma pena que supera 62 anos de prisão (somando os regimes de reclusão e detenção), além do pagamento de multa e de uma indenização por danos morais fixada em 50 salários mínimos para cada uma das sete vítimas.


A decisão atesta que o ex-gestor utilizava do cargo e de instrumentos administrativos, como avaliações de desempenho e organização de escalas, para chantagear, perseguir e assediar sexualmente as servidoras, sob ameaças constantes de perda de pontuação funcional e retaliações na carreira.

Segundo o processo, o padrão de comportamento de Valdeci intensificou-se após assumir a direção-adjunta da unidade prisional. A servidora relata que, além de comentários machistas, a pressão psicológica ocorria de forma direta durante a rotina de serviço:


“Ele falava que ia tirar sua pontuação no desempenho e depois pedia um beijo e um abraço. Falava que a gente era obrigado, porque senão a gente ia perder a pontuação na avaliação de desempenho.”

Para além do impacto profissional, os relatos das vítimas apontam para danos profundos à saúde mental e à dignidade pessoal. “Eu me sentia um lixo, porque eu tinha que estar ali para trabalhar, eu precisava criar meu filho. Eu estava vivendo um sonho, porque a gente que é pobre, quando passa em um concurso, quer viver aquilo”, desabafou a servidora, destacando a frustração de ter suas conquistas profissionais interrompidas por episódios de violência.


Investigação e decisão judicial

As denúncias começaram a ser formalizadas após as próprias policiais penais procurarem a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. O processo reuniu um conjunto de provas composto por depoimentos detalhados das vítimas e testemunhas, registros de mensagens e documentos administrativos, histórico de afastamentos médicos e pedidos de remoção de local de trabalho, concessões prévias de medidas protetivas de urgência.

Ao analisar o material, o Poder Judiciário reconheceu a prática continuada dos crimes de importunação sexual, assédio sexual, perseguição e violência psicológica contra a mulher. O ex-diretor-geral do presídio, Pedro Ferrare Ferreira, que também havia sido denunciado por suposta omissão diante dos fatos, foi absolvido por falta de provas suficientes para responsabilização na esfera criminal. Valdeci Pereira Maciel poderá recorrer da sentença em liberdade.


A confirmação da sentença trouxe às servidoras a validação do sofrimento vivenciado ao longo dos últimos três anos de tramitação do processo. Para a servidora ouvida, a decisão judicial representa não apenas a responsabilização do agressor, mas a recuperação da autoconfiança e do direito de exercer sua profissão sem violência.

“Quando eu vejo a condenação dele, mesmo ele podendo recorrer, eu sinto que não sou doida e que não tenho que aceitar qualquer coisa para trabalhar. Hoje eu sinto que alguma coisa foi feita, que a gente pode continuar. Eu estou pronta, feliz e com a esperança de voltar a correr atrás dos meus sonhos.”

A policial concluiu ressaltando a importância do apoio mútuo entre as mulheres atingidas pelo esquema de assédio: “Quando outras mulheres se juntam pela mesma causa, a nossa voz ecoa, a nossa voz vira gigante. E a gente pode conquistar tudo, inclusive e principalmente a nossa liberdade.”

*Estagiária sob supervisão de Cler Santos

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