Revendedora de pisos é investigada por suspeita de golpe milionário em MG
Pelo menos sete vítimas procuraram a Polícia Civil de Minas Gerais; ex-jogadores do Cruzeiro estão entre os lesados
Minas Gerais|João Pedro Gruppi, da Record TV Minas

O dono de uma revendedora de pisos de madeira, em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais suspeito de dar golpes de mais de R$1 milhão em clientes.
O delegado responsável pelo caso, Flavio Rabello Teymeny, informou que sete vítimas procuraram a polícia após não receberem suas compras após o pagamento. Entre os lesados, estão alguns ex-jogadores do Cruzeiro.
Elas e o suspeito já foram ouvidos e deram suas versões da história. Segundo o acusado, não houve crime de estelionato e sim um desacordo comercial. De acordo com Teymeny, o inquérito será repassado para a delegacia da capital, pois a maioria das vítimas moram no município.
O que dizem os clientes
Segundo alguns clientes que conversaram com a Record TV Minas, Augusto Pivato, proprietário da Lagoa Parket, era revendedor do Grupo Indusparquet, empresa que produz pisos de madeira, no interior de São Paulo. Ainda conforme os consumidores, ele tinha um preço abaixo do mercado, mas tinha a fama de entregar seus produtos. Mas, no começo deste ano, ele teria tido problemas financeiros e parou de entregar as encomendas.
Ernane Costa é morador de Belo Horizonte e está construindo uma casa em um condomínio em Vespasiano, também na região metropolitana, e comprou 86 m² de ripado de madeira na Lagoa Parket por indicação do arquiteto dele. Porém, nunca recebeu a encomenda.
"Estou com a obra parada, porque ele não me entregou o piso. Eu teria um prejuízo de R$ 47 mil, mas dividi de dez vezes sem juros. Por sorte só tinha pagado a primeira parcela e pedi para o banco cancelar o restante da compra. O curioso é que antes de fecharmos a compra, ele sempre me procurava. Falava 'Vamos fechar negócio!' e agora sumiu", comentou Costa.
Outra pessoa lesada foi Rodrigo César de Souza, ele é empreiteiro em Nova Lima, na Grande BH, e disse que conhecia o trabalho de Augusto Pivato, por isso comprou deques e forros de madeira para obras de dois clientes, mas também foi enganado.
"Tive um prejuízo de R$80 mil e a obra está atrasada. O valor final era cerca de R$120 mil e dei os 80 de adiantamento. Mas ele não entregou o material. Quando o procurei, ele inventou que a indústria boicotou ele e não estavam entregando os materiais", detalhou o empreiteiro.
Além dessas, outras vítimas são três ex-jogadores do Cruzeiro. Ricardinho (Ricardo Alexandre dos Santos), Marcos Paulo Alves e Wendel Silva, os três com passagens pelo time celeste, foram lesados.
Não é mais revendedor
No início do mês passado, a empresa Indusparquet informou por meio de suas redes sociais que a Lagoa Parket não fazia mais parte do grupo de revendedores.
A nota diz que "o Grupo Indusparquet comunica o encerramento de vendas de seus produtos para a revenda Lagoa Parket de Lagoa Santa/MG, em função das últimas atitudes desta revenda com as quais o Grupo Indusparquet não compactua". A nota finaliza dizendo que estão à disposição para sanar quaisquer dúvidas e/ou esclarecimentos adicionais".
Posicionamento
Por meio de nota, a Lagoa Parket nega as acusações e se diz vítima de prática de concorrência desleal por parte de uma concorrente. Além disso, afirma que foi feito um acordo com a indústria para solucionar as questões de entrega das mercadorias dos clientes.
Já a Indusparquet alega que todas as "negociações problemáticas" foram feitas diretamente pela revenda sem o conhecimento da indústria. E que a referida empresa era autônoma e independente. A nota complementa dizendo que, embora não tenho culpa, o grupo acionou seu departamento comercial para entrar em contato com os consumidores lesados para inteirar-se dos fatos e buscar uma solução.















