"Sabotagem", diz Kalil sobre lotação nos ônibus durante o Carnaval
Prefeito de BH responsabilizou as empresas de coletivos e a CDL pelo quadro de linhas reduzido desde segunda-feira (28)
Minas Gerais|Ana Gomes, Do R7 com Shirley Barroso, Da Record TV Minas

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), criticou, nesta terça-feira (1º), os empresários de transporte coletivo da capital e responsabilizou a CDL-BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte) pela confusão. Os passageiros enfrentaram viagens com superlotação, além de filas e atrasos nas estações de ônibus.
“No fim, a culpa é da prefeitura, mas ninguém fala que ela foi avacalhada. Se os comerciantes tivessem falado na minha sala que não iam abrir, essa confusão não estava feita. Tava cercado que ia abrir tudo, mas a sabotagem é explicita”, disse o político.
A BHTrans (Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte) prometeu tomar medidas contra o Setra-BH (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte) por não estar cumprindo a escala reduzida de viagens, mas Kalil se mostrou descrente sobre as consequências.
"Eu não espero nada. Eles vão ser multados como manda a lei, mas não pagam. O que adianta a multa se a população está sendo sacrificada", pontua.
As declarações foram feitas pelo prefeito durante uma visita à horta comunitária Coqueiro Verde, que fica no Conjunto Paulo VI, na região nordeste da capital. Durante a conversa com os jornalistas, o político culpou a CDL-BH pelo transtorno no transporte coletivo. Ele disse que fez um acordo com o órgão para manter o comércio aberto durante os dias de Carnaval, que foi descumprido.
“A CDL-BH já devia ter fechado, porque o presidente nem loja tem. Eu não impus nada. Eu pedi um acordo. Estava tudo certo, conversado, sem decreto e com diálogo. Foram lá e avacalharam”, alfinetou.
O que dizem o Setra e a CDL-BH
O Setra-BH informou em nota que, devido à “indefinição do Poder Concedente e da BHTRANS para um planejamento antecipado sobre o período de carnaval”, a antecipação de escalas de viagens no transporte público foi impossibilitada.
O sindicato ainda afirmou que diante do cenário de comércios fechados, escolas em recesso, servidores e empresas em ponto facultativo, “não há como se entender, como efetivamente entendeu a BHTRANS, que se trata de dia-útil com o mesmo quantitativo de viagens de um dia normal”. De todo modo, o Setra garantiu que segue monitorando a demanda e disponibilizando viagens extras em Belo Horizonte, juntamente com os quatro Consórcios Operacionais.
Já a CDL-BH afirmou em nota que "desconhece as razões que levaram o prefeito Alexandre Kalil a tentar terceirizar a sua responsabilidade daquilo que ele não teve competência para resolver: os graves problemas do transporte coletivo em nossa capital". Os lojistas ainda teceram críticas à administração municipal, argumentando que a fiscalização e o funcionamento do transporte público em BH é uma responsabilidade única e exclusiva da Prefeitura.
Carnaval
Mesmo a prefeitura cancelando o Carnaval de rua de Belo Horizonte, alguns blocos espontâneos saíram pela cidade. O político considerou bem sucedida a estratégia de impedir a folia.
"Nós estamos em uma democracia. Já pensou se eu prender quem sai de abadá, batendo tambor na rua?! Nós fizemos o que tinha que ser feito dentro de uma coerência técnica e sanitária. Se o povo está saindo na rua, que saia. Nós não queríamos 4 milhões de pessoas na cidade e isso conseguimos evitar", finalizou.















