Sem transporte, dez funcionários de empresa do sul de Minas viajam em boleia de carreta
Trabalhadores fizeram um vídeo denunciando o caso, mas a empresa negou as informações
Minas Gerais|Do R7 com Record Minas

Um vídeo gravado por funcionários de uma transportadora mostra dez pessoas viajando na boleia de uma carreta. Eles teriam saído do litoral paulista em direção a Varginha, no sul de Minas, onde fica a sede da empresa.
Ainda conforme relatos registrados na filmagem, o grupo trabalha carregando e descarregando caminhões no porto de Santos (SP). No momento da gravação, eles estariam retornando para casa e várias pessoas aproveitam para denunciar as más condições de trabalho.
— Isso aqui não é vida para um profissional não.
A capacidade para passageiros na carreta, que possui cabine simples, é duas pessoas além do motorista. Mas, de acordo com os funcionários, a empresa não teria disponibilizado outro veículo para eles voltarem.
— Falar que não pode liberar um caminhão na prancha para levar a turma, então pode largar a mão.
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Outro trabalhador afirma relata que esse tratamento revela o descaso da transportadora com seus funcionários. E, por falte de espaço, alguns deles chegam até a viajar em pé dentro da cabine.
— Esse é o suporte que a firma dá para a gente poder ver nossa família. A semana inteira fora de casa e na hora do descanso é isso aí.
No momento em que as imagens foram gravadas, a carreta passava pela rodovia Anchieta, ainda em São Paulo, mas já bem próximo de Varginha.
Segundo o autor do vídeo, os trabalhadores seguem para o Porto de Santos e, em alguns casos, precisam esperar até quatro dias para a liberação da alfândega. Durante esse período, os trabalhadores não recebem diária para permanecer no pátio até a liberação da carga e, por isso, o grupo resolveu voltar amontoado na boleia e denunciar o caso.
O advogado da empresa, Jorge Serafim, informou que os trabalhadores que aparecem nas imagens agiram sem conhecimento da transportadora e negou que a companhia tenha deixado de fornecer transporte a eles.
— Esses empregados, sem que a empresa tivesse conhecimento, adentraram no veículo fora das dependências da transportadora e assim vieram.
Ainda conforme o defensor, nos casos de demora na liberação das mercadorias, os motoristas são autorizados a dormir na sede da transportadora em Santos. Além disso, ele garante que os trabalhadores recebem uma verba mensal para se manterem nesse período.
— Os motoristas sempre descem descarregados e voltam carregados. Normalmente, às sextas-feiras eles devem permanecer no pátio da empresa, na Baixada Santista, para retornar na segunda-feira quando tem carga.
Serafim não soube informar quando o vídeo foi feito, mas garantiu que os empregados infringiram uma norma interna da empresa que proíbe caronas.
— A empresa proíbe transporte de carona nos caminhões. Esse ato dos motoristas é contrário ao manual do motorista que todos eles recebem. E a empresa, ao tomar conhecimento dessa situação, já tomou providências para o desligamento desses empregados e correção do problema.
O inspetor da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Éder Juno, também analisou as imagens e explicou que, neste caso, de excesso de passageiros na boleia do caminhão é de responsabilidade do motorista do veículo.
— As circunstâncias em que a gente viu o vídeo mostra que é uma situação totalmente inadequada, ou seja, um veículo com lotação excedente de passageiros e demais ocupantes sem cinto de segurança.















