Minas Gerais TJ abre processo contra juíza que ensinou a burlar uso de máscara

TJ abre processo contra juíza que ensinou a burlar uso de máscara

Ludmila Lins Grilo fez uma série de postagens debochando das medidas de restrição e pode até mesmo ser afastada

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli e Pablo Nascimento, do R7

Juíza postou tutorial para burlar uso de máscara

Juíza postou tutorial para burlar uso de máscara

Reprodução / Twitter

A cúpula do Tribunal de Justiça de Minas Gerais acatou pedido para abrir um procedimento administrativo contra a juíza da Comarca de Unaí, a 590 km de Belo Horizonte, Ludmila Lins Grilo. Dentre outros episódios, a magistrada postou em uma rede social, um vídeo em que ensina como burlar o uso de máscara em shoppings centers.

O caso ganhou repercussão nacional e foi parar no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A representação do corregedor-nacional de Justiça foi encaminhada ao TJMG, que pautou o caso para esta quarta-feira (24).  

De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal, "a dra. Ludmila vai ser notificada, vai poder recorrer e terá tempo para responder".

Caso a juíza Ludmila Lins Grilo seja considerada infratora, ela pode ser afastada do cargo. A decisão vai ficar sob responsabilidade do chamado Órgão Especial do TJMG, formado pelos 13 desembargadores mais antigos e por outros 12 desembargadores eleitos.

Investigação

Durante a reunião, os membros da alta cúpula da Justiça mineira analisaram um parecer inicial do corregedor-geral de Justiça, Agostinho Gomes de Azevedo. É Azevedo quem acompanha o caso desde janeiro, que foi levado ao CNJ por um advogado, que questionou as publicações da juíza em redes sociais contra as medidas de prevenção ao coronavírus.

Na época, Ludmila Lins, admiradora do escritor Olavo de Carvalho, guru do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), alegou que as publicações foram ironias em relação ao modo como as restrições foram adotadas. A magistrada manteve o conteúdo das postagens e afirmou que só iria se manifestar caso fosse instaurado procedimento administrativo.

A reportagem procurou a magistrada para comentar sobre a reunião do Órgão Especial do TJMG, mas não teve retorno. Segundo o Tribunal, o caso segue em segredo judicial.

Postagens

Uma das publicações que motivou a denúncia foi um vídeo gravado em 1º de janeiro de 2021, em que Ludmila mostra diversas pessoas andando na Rua das Pedras, ponto turístico de Armação dos Búzios, no litoral fluminense. A magistrada escreveu que o município estaria resistindo ao que ela classificou como “estupidez”. “Uma cidade que não se entregou docilmente ao medo, histeria ou depressão”, relatou em seguida.

No mesmo dia, ela também postou uma gravação que mostra uma aglomeração de turistas acompanhando a queima de fogos da virada de ano na cidade. A publicação foi acompanhada com a hashtag “#AglomeraBrasil”.

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