Minas Gerais TJMG analisa investigação contra juíza que ensinou burlar máscara

TJMG analisa investigação contra juíza que ensinou burlar máscara

Cúpula do tribunal se reúne para decidir se vai seguir com processo que pode culminar no afastamento da magistrada de Unaí (MG)

Postagens da advogada são investigadas pelo CNJ

Postagens da advogada são investigadas pelo CNJ

Reprodução/Twitter

Membros do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) se reúnem, nesta quarta-feira (24), para decidir se vão abrir ou não um processo administrativo disciplinar contra a juíza de Unaí, a 590 km de Belo Horizonte, que gravou um "passo a passo" ensinando internautas a andarem nos shoppings sem máscara de proteção contra a covid-19.

Caso o procedimento seja instaurado e a juíza Ludmila Lins Grilo seja considerada infratora, ela pode ser afastada do cargo. A decisão vai ficar sob responsabilidade do chamado Órgão Especial do TJMG, formado pelos 13 desembargadores mais antigos e por outros 12 desembargadores eleitos.

Durante a reunião, os membros da alta cúpula da Justiça mineira vão analisar um parecer inicial do corregedor-geral de Justiça, Agostinho Gomes de Azevedo, que será lido na sessão. Azevedo acompanha o caso desde janeiro deste ano, quando um advogado denunciou a magistrada ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por supostas publicações em redes sociais contra as medidas de prevenção contra o coronavírus.

Na época, Ludmila Lins, admiradora do escritor Olavo de Carvalho, guru do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), alegou que as publicações foram ironias em relação ao modo como as restrições foram adotadas. A magistrada manteve o conteúdo das postagens e afirmou que só iria se manifestar caso fosse instaurado procedimento administrativo.

A reportagem procurou a magistrada para comentar sobre a reunião do Órgão Especial do TJMG, mas não teve retorno. Segundo o Tribunal, o caso segue em segredo judicial.

Postagens

Uma das publicações que motivou a denúncia foi um vídeo gravado em 1º de janeiro de 2021, em que Ludmila mostra diversas pessoas andando na Rua das Pedras, ponto turístico de Armação dos Búzios, no litoral fluminense. A magistrada escreveu que o município estaria resistindo ao que ela classificou como “estupidez”. “Uma cidade que não se entregou docilmente ao medo, histeria ou depressão”, relatou em seguida.

Leia também: CNJ já investiga juíza anti-máscara por outra postagem em rede social

No mesmo dia, ela também postou uma gravação que mostra turistas acompanhando a queima de fogos da virada de ano na cidade. A publicação foi acompanhada com a hashtag “#AglomeraBrasil”.

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