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Três casos graves de violência contra mulheres são registrados em menos de 24 horas em BH

Os três casos são investigados pela Polícia Civil e ocorreram em um momento de crescimento dos registros de feminicídio em Minas Gerais

Minas Gerais|Luciana Simões, Alice Brito e Rosildo Mendes, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7

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Os episódios ocorrem em meio ao aumento dos casos de feminicídio em Minas Gerais e reacendem o alerta para a violência de gênero no estado
Os episódios ocorrem em meio ao aumento dos casos de feminicídio em Minas Gerais e reacendem o alerta para a violência de gênero no estado RECORD Minas/ Reprodução

Belo Horizonte registrou, em menos de 24 horas, três graves ocorrências envolvendo violência contra mulheres. Entre a noite de segunda-feira (20) e a manhã desta terça-feira (21), uma capitã da Polícia Militar morreu com diversos ferimentos pelo corpo, uma mulher foi encontrada morta dentro do próprio apartamento e outra sobreviveu após ser jogada do terceiro andar de um prédio. Os episódios ocorrem em meio ao aumento dos casos de feminicídio em Minas Gerais e reacendem o alerta para a violência de gênero no estado.

Os três casos ocorrem em um cenário de crescimento da violência contra mulheres em Minas Gerais. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, apenas nos dois primeiros meses de 2026, foram registrados 32 feminicídios no estado, contra 25 no mesmo período de 2025, um aumento superior a 32%. No ano passado, Minas Gerais contabilizou pelo menos 170 feminicídios consumados e 209 tentativas. Em todo o país, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025.


O primeiro caso veio à tona na noite de segunda-feira, quando a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, foi levada já sem vida pelo marido ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste de Belo Horizonte.

Segundo a Polícia Militar, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, afirmou aos médicos que a esposa havia caído de uma escada no apartamento do casal, no bairro Palmares. A versão, no entanto, passou a ser questionada depois que a equipe médica identificou hematomas, ferimentos graves e múltiplas lesões espalhadas pelo corpo da oficial, acionando imediatamente a corporação.


As investigações revelaram que o relacionamento do casal era marcado por episódios de violência psicológica e controle. Conforme o boletim de ocorrência, familiares relataram que Michele vivia um ciclo de separações e reconciliações e já havia contado sobre comportamentos possessivos do marido, manipulação emocional e até ameaças com faca durante discussões.

Imagens do circuito interno do prédio mostram o momento em que o sargento carrega a capitã no colo até o carro, aparentando nervosismo, antes de seguir para o hospital. O policial foi preso em flagrante, prestou depoimento na Delegacia de Homicídios e, segundo a defesa, nega ter agredido a esposa. Durante a perícia, a polícia apreendeu um pedaço de madeira que pode ter sido usado nas agressões e uma caixa com comprimidos de ecstasy que o militar teria tentado descartar.


Caso de Stifanie Ribeiro

Poucas horas antes, outro caso mobilizou equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil na região Oeste da capital. Stifany Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, no bairro Camargos.

A descoberta ocorreu depois que vizinhos estranharam o desaparecimento da mulher, sentiram um forte odor vindo do imóvel e decidiram abrir uma das janelas. O corpo foi localizado sobre a cama, já em estado de decomposição, enquanto diversos objetos da residência estavam revirados.


Segundo relatos de moradores, um homem frequentava o apartamento com frequência e foi visto deixando o local por volta das 11h35 de segunda-feira carregando duas malas. A suspeita é de que ele tenha permanecido no imóvel durante dias mesmo após a morte da vítima. Mensagens trocadas entre Stifany e uma vizinha também levantaram suspeitas. De acordo com pessoas próximas, alguém teria respondido às mensagens utilizando apenas texto. Quando a vizinha pediu uma prova de vida, não houve mais qualquer retorno.

Amigos informaram ainda que Stifany trabalhava em um supermercado, estava afastada por atestado médico havia cerca de dez dias, fazia acompanhamento psiquiátrico e morava sozinha desde a morte da mãe, em outubro do ano passado.

O homem apontado por testemunhas como namorado da vítima se apresentou espontaneamente ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta terça-feira e confessou o crime. Ele foi preso pela Polícia Civil, que segue investigando as circunstâncias da morte.

Mulher foi jogada do terceiro andar

Na manhã desta terça-feira (21/7), um terceiro caso de violência contra a mulher foi registrado no bairro Jonas Veiga, na região Leste de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, uma mulher foi jogada do terceiro andar de um prédio. Ela caiu sobre a laje do segundo pavimento, sofreu escoriações, conseguiu sair caminhando do imóvel e foi socorrida inicialmente para a UPA Leste.

Depois, foi transferida para o Hospital João XXIII. O homem suspeito do crime foi preso e encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. Ainda de acordo com a PM, ele chegou a tentar danificar o compartimento de segurança da viatura durante o deslocamento.

Os três episódios seguem sob investigação. No caso da capitã Michele Leão Azevedo, a Polícia Civil apura se as lesões são compatíveis com a versão apresentada pelo marido. Já nos casos de Stifany Ribeiro Firmino Silva e da mulher que sobreviveu à queda do terceiro andar, a motivação dos crimes e a eventual classificação como feminicídio dependerão da conclusão das investigações conduzidas pelas autoridades.

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