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UFMG diz que não conseguiu identificar alunos envolvidos em caso de apologia ao estupro

Em setembro de 2014, estudantes foram flagrados cantando "não é estupro, é sexo surpresa"

Minas Gerais|Do R7

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Faculdade se comprometeu a realizar ações educativas sobre o tema
Faculdade se comprometeu a realizar ações educativas sobre o tema

A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) informou que não foi possível identificar os estudantes envolvidos no episódio de apologia ao estupro denunciado em setembro do ano passado. Na época, integrantes da bateria da Faculdade de Engenharia foram flagrados em um bar cantando "não é estupro, é sexo surpresa". O caso foi trazido à tona por uma aluna que presenciou a cena e uma comissão de investigação foi montada pela instituição.

No entanto, conforme nota publicada na última terça-feira (17) pela faculdade, "embora certificada a ocorrência do inaceitável fato de caráter apologético ao estupro, a impossibilidade de identificação de autoria pela comissão de apuração inviabiliza a abertura de processo administrativo de caráter punitivo". Sendo assim, ninguém será responsabilizado.


No comunicado, a escola ainda repudiou "qualquer tipo de comportamento discriminatório,seja ele de caráter machista, sexista, racista, homofóbico, entre outros que desrespeitem a diginidade humana" e alegou que uma série de práticas pedagógicas de sensibilização em direitos humanos e valores universitários serão organizadas. Entre as medidas recomendadas pela comissão, está um fórum de debates e palestras sobre os temas e discussões durante a semana de recepção de calouro sobre o tratamento digno à mulher na sociedade e no ambiente acadêmico.

Entenda


Pelo Facebook, a estudante Luísa Turbino, de 23 anos, relatou a cena que viu em um bar da região centro-sul da cidade. A situação a deixou indignada.

— Eu já estava incomodada com a gritaria mas quando cantaram isso [sobre estupro] imediatamente pedimos a conta a fomos embora.


Na época, o capitão da bateria, Bruno Saúde, informou que não presenciou este momento. Porém, confirmou que alguns membros da Engrenada foram para o bar após uma apresentação que fizeram em uma festa. Ainda segundo o capitão, a música cantada não faz parte do repertório da banda.

— Esta não é uma musica da bateria. Eu mesmo não a conhecia antes dessa repercussão. A Engrenada repudia essa atitude. No nosso repertório não tem nada de cunho sexista.


Veja o relato completo da estudante:

Hoje o Rei do Pastel foi dominado por uma turma de idiotas, componentes da Bateria da Engenharia da UFMG (que vergonha!), que em coro cantavam: "Não é estupro, é sexo surpresa", dentre outras imbecilidades machistas, misóginas e homofóbicas.

Mais triste ainda foi ver mulheres envolvidas na cantoria. E mais triste ainda perceber que ninguém mais se sentiu incomodado.

É preciso mesmo repensar o papel da universidade, sobretudo as instituições publicas. Acho um absurdo SEM FIM uma UFMG da vida ser conivente com esse tipo de comportamento, que ocorre não somente dentro da universidade, mas muitas vezes EM NOME da universidade. Mais absurdo ainda quando a universidade indiretamente (mas não sem consciência) contribui para que esses episódios aconteçam quando, por exemplo, emprestam sua estrutura física para o "ensaio".

Triste, lamentável. Confesso que não soube como agir (e talvez nenhuma reação valeria a pena diante de um bando de playboys bêbados). Mas fica no coração a esperança de que a luta jamais termine e que o futuro seja um lugar melhor

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