Vale vai cercar área de quilombo para não explorar mais o terreno
Justiça determinou que a mineradora cerque todo perímetro da comunidade Vargem da Lua, vizinha de uma mina; moradores denunciam invasão
Minas Gerais|Rodrigo Dias, da Record TV Minas
A Justiça determinou que a mineradora Vale cerque todo o perímetro de uma comunidade quilombola vizinha à Mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, a 90 km de Belo Horizonte. A liminar havia sido solicitada pelos próprios moradores, que acusam a mineradora de explorar terrenos que pertencem à comunidade Vargem da Lua de forma ilegal.
Imagens de satélite mostram que, ao longo do tempo, a Vale invadiu uma área de cerca de 30 hectares para explorar minério.

De acordo com os quilombolas, a mineradora começou a operar no terreno da comunidade em 2008. Quatro anos depois, a Justiça proibiu a empresa de explorar a área, assim como proibiu os quilombolas de entrarem no terreno da mineradora.
Os moradores alegaram que a determinação não estava sendo cumprida e chegaram a fechar o trânsito em uma rodovia próxima como forma de protesto. O motorista Guilherme Carvalho, morador do quilombo, afirma que a empresa aproveitou o período de pandemia para aumentar a exploração no terreno da comunidade.
— Colocaram placa de "entrada proibida" dentro do terreno que é da comunidade.
Segundo ele, a decisão foi comemorada pelos quilombolas.
— A gente fica muito satisfeito. São 12 anos de espera. Então, é muita satisfação que vai demarcar um terreno que é da gente.
A Justiça determinou agora que a Vale terá que cercar toda a área da comunidade Vargem da Lua, que tem cerca de dois quilômetros quadrados. A decisão também estabelece uma divisão entre os terrenos, já que a empresa teria avançado mais de 30 hectares dentro da comunidade. A Vale ainda pode recorrer da decisão.
Outro lado
Em nota, a Vale informou que já foi informada da decisão e está tomando as providências cabíveis. A empresa afirmou ainda que respeita e cumpre todas as ordens judiciais.















