Minas Gerais Vereador de BH acusado de homicídio vai a júri popular

Vereador de BH acusado de homicídio vai a júri popular

Ronaldo Batista é acusado de pagar R$ 40 mil para matar um sindicalista, que era seu desafeto; dez pessoas serão julgadas 

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Ronaldo Batista foi preso em outubro acusado de mandar matar Hamilton Dias

Ronaldo Batista foi preso em outubro acusado de mandar matar Hamilton Dias

Divulgação/CMBH/Karoline Barreto

O vereador de Belo Horizonte, Ronaldo Batista de Morais, acusado de ter assassinado um sindicalista em setembro do ano passado, vai a júri popular. A decisão é do juiz Marcelo Rodrigues Fioravante, do 1º Tribunal do Júri, que publicou a sentença nesta quinta-feira (5). Além do parlamentar, que está preso, outras nove pessoas também serão julgados pelo crime. 

Os réus respondem por crimes como participação em organização criminosa, comunicação falsa de crime, fraudes processuais, adulteração de arma utilizada para prática delitiva, posse ilegal de arma de fogo e adulteração de sinal identificador de veículo.

De acordo com a sentença, tanto Ronaldo como outras quatro pessoas devem continuar presos preventivamente até o julgamento. Uma pessoa está foragida. 

Relembre o crime

Ronaldo Batista foi preso no dia 15 de outubro, durante uma operação policial em meio às investigações sobre o assassinato do vereador de Funilândia, a 80 km de Belo Horizonte, Hamilton Dias (MDB), que também era presidente de um sindicato de rodoviários da região metropolitana.

A operação também aconteceu em outros pontos de Belo Horizonte e da região metropolitana e envolveu 200 policiais. Ao todo, de acordo com a Polícia Civil, na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e oito de prisão. Todo o material apreendido foi levado para o Departamento de Investigação de Homicídio e Proteção a Pessoa, como computadores, documentos, monitores, armas e um colete à prova de balas.

Conforme denúncia do Ministério Público, integrantes da organização criminosa montada pelo verador de Belo Horizonte, se passaram por possíveis compradores de um lote, que seria vendido por Hamilton. Os denunciados criaram um perfil falso de uma mulher chamada "Vanessa" e começaram a trocar mensagens com ele por meio do Whatsapp.

No dia do crime, Hamilton foi atraído para um encontro com essa mulher e surpreendido no local por uma dupla, que disparou diversas vezes contra ele. O policial militar teria auxiliado na fuga e na destinação da arma de fogo usada no crime.

Motivação

Segundo o Ministério Público, o crime foi cometido por conta de uma disputa sindical. Além de parlamentar, Hamilton era presidente do Simeclodif (Sindicato dos Motoristas e Empregados em Empresas de Transporte de Cargas, Logística em Transporte e Diferenciados de Belo Horizonte e Região), criado a partir de uma dissidência do STTRMBH (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte da Região Metropolitana de Belo Horizonte), durante a gestão de Ronaldo Batista.

De acordo com a denúncia, sob o comando de Hamilton de Moura, o Simeclodif passou a fazer oposição administrativa e "arrebatar sindicalizados e contribuições" que era dirigidas ao outro sindicato, como também a ajuizar ações na Justiça do Trabalho contra a entidade.

Em uma dessas ações, Ronaldo Batista se tornou réu por má administração do sindicato "como desvio, dilapidação e malversação do patrimônio da entidade, descumprimento de acordo judicial e apropriação indébita", de acordo com denúncia do Ministério Público do Trabalho. Ele teve os bens bloqueados.

Quadrilha

De acordo com a denúncia, interceptações telefônicas, quebras de sigilo, operações de busca e apreensão, perícias e delação premiada, o vereador Ronaldo Batista seria o mentor intelectual do crime. Ele teria encabeçado uma organização criminosa envolvida em diversas fraudes e desvios de valores em sindicatos junto a outras duas pessoas. 

O trio teria contratado um ex-policial penal e um policial militar para monitorar a rotina de Hamilton Dias e planejarem uma emboscada. Segundo o MP, o vereador ofereceu R$ 40 mil pelo crime

Uma outra pessoa foi contratada para adulterar o cano da arma, para dificultar a perícia e outro suspeito teria adulterado os vidros de um carro usado no momento do crime, também para dificultar as investigações.

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