Do Pix ao delivery: como o paraibano digitalizou o dia a dia
O paraibano acordou digital quase sem perceber. Entre o café da manhã e o caminho para o trabalho, ele já transferiu dinheiro...
Portal Correio|Do R7

O paraibano acordou digital quase sem perceber. Entre o café da manhã e o caminho para o trabalho, ele já transferiu dinheiro pelo celular, conferiu o saldo, pediu o almoço e pagou o estacionamento sem tocar em uma única cédula. O que soava como exceção há bem pouco tempo virou rotina em João Pessoa, em Campina Grande e também nas cidades médias do sertão, onde a internet chegou atrasada, mas veio para ficar.
No centro dessa virada está o Pix, que abandonou o status de novidade para se tornar hábito puro. Só entre janeiro e maio deste ano o sistema chegou a registrar quase 3 mil transações por segundo, um ritmo impensável na fila de banco de dez anos atrás. O volume acumulado já ultrapassa os 16 trilhões de reais movimentados no período, um salto de mais de um quarto em relação ao ano anterior, e o Nordeste puxa boa parte dessa conta. Na feira livre, no salão de beleza, na barraca de tapioca da orla, o QR Code passou a dividir espaço com a maquininha. Em muitos balcões, já a aposentou de vez.
Quem vende sentiu a mudança tão rápido quanto quem compra. O dono da lanchonete descobriu que estar no aplicativo de entrega significa vender para um bairro inteiro sem precisar ampliar o salão, enquanto o cliente se acostumou a resolver o jantar com três toques na tela. A comida chega quente, o pagamento sai automático e a nota vai direto para o e-mail. Ninguém combinou nada. A cidade inteira, de repente, passou a funcionar assim.
O apetite por comida entregue na porta virou fenômeno nacional, e o paraibano entrou de cabeça. As plataformas de entrega bateram recordes seguidos ao longo deste ano, um único aplicativo chegou a registrar mais de 22 milhões de pedidos em um só fim de semana, com receita crescendo perto de 28% em doze meses. Por trás do motoboy que sobe a ladeira do Valentina existe uma engrenagem de mapas, rotas otimizadas e pagamentos instantâneos que o freguês nem enxerga, mas aciona toda vez que aperta o botão de confirmar.
Essa mesma lógica de resolver tudo pelo celular não parou na conta bancária nem no prato, porque acabou invadindo o lazer, e aí mora uma pergunta que quase ninguém faz: quanto do nosso tempo livre já passa pela peneira de um algoritmo? O paraibano que assina streaming, joga no intervalo do almoço e acompanha o time por notificação transformou o entretenimento em algo digital, sob demanda e cada vez mais personalizado.
Esse grau de personalização é justamente o que mais avançou no jogo online, um dos ramos digitais que mais investiu em ler o perfil de quem está do outro lado da tela para ajustar a experiência em tempo real. A mesma tecnologia que sugere o próximo episódio da série ou calcula a rota do entregador move plataformas auxiliares que cruzam localização e preferências para apresentar a cada usuário os melhores bônus de cassino sem depósito para novos jogadores no Brasil, sempre a partir de dados verificados e das regras em vigor no país. Quem quer conhecer uma nova plataforma encontra a informação já filtrada pelo seu contexto e escolhe com calma o que combina com a diversão que procura.
Toda essa digitalização deixou marca na economia da Paraíba, e os números oficiais confirmam o movimento: só neste ano registrou-se a abertura de 32.859 empresas na Paraíba entre janeiro e maio, boa parte delas microempreendedores individuais que já nasceram pensando em cartão, carteira digital e vitrine nas redes. Mais da metade veio de gente com menos de 35 anos, que trata a tecnologia como ponto de partida, jamais como obstáculo. O comércio eletrônico brasileiro caminha para movimentar cerca de 259 bilhões de reais neste ano, e o estado acompanha o embalo com feiras que agora têm loja no Instagram e artesãos que despacham encomendas para a outra ponta do país.
A logística correu atrás para dar conta do recado. Onde antes uma encomenda demorava semanas, hoje brotam galpões de armazenamento, pontos de coleta e transportadoras locais que encurtam a distância entre o clique e a porta. É a parte invisível da digitalização. Aquela que ninguém posta, mas que segura todo o resto.
A máquina pública acompanhou o passo, ainda que a reboque. Serviços que antes exigiam fila e papel migraram para o aplicativo, do agendamento de saúde à emissão de documentos, e até o jeito de estacionar mudou: em João Pessoa, a zona azul digital aposentou o antigo talão de papel em favor de um crédito comprado direto na tela do celular. Cada pequena tarefa resolvida sem sair de casa reforça um hábito que já não tem volta.
O curioso é que nada disso foi imposto de cima para baixo. Foi o próprio paraibano, do feirante ao estudante, que adotou cada ferramenta no seu ritmo, testando, desconfiando e, no fim, incorporando ao cotidiano sem alarde. A cédula ainda circula e o dinheiro vivo não morreu, mas divide cada vez menos espaço no bolso. O dia a dia, esse, já fala a língua da tela.
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