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Marcas chinesas avançam na Europa com centros de desenvolvimento locais

XPeng, Chery, Nio e até Leapmotor abrem laboratórios para desenvolver e homologar produtos para o mercado europeu

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Centro de Design Geely em Gotemburgo na Suécia Geely/Divulgação

A presença das montadoras chinesas na Europa deixou de ser apenas comercial e passou a ganhar estrutura industrial, técnica e de engenharia. Além de ampliar vendas, marcas como BYD, Nio, XPeng, Chery, Leapmotor e Changan já instalaram centros de pesquisa, desenvolvimento, design, homologação e adaptação de produtos no continente, em um movimento que mostra que a ofensiva chinesa vai muito além da exportação de carros prontos.

Centro de Design Geely em Gotemburgo na Suécia Geely/Divulgação

Se por um lado a produção se concentra majoritariamente na China, os laboratórios europeus trazem identidade, possibilidade de homologação junto aos órgãos da União Europeia além de uma proximidade “estratégica” para as marcas.


Elétricos já são 17% e híbridos 34,5%


Esse avanço acontece num momento em que a eletrificação segue ganhando espaço na Europa. Na União Europeia, os elétricos a bateria responderam por 17,4% das vendas de carros novos em 2025, acima dos 13,6% de 2024. No mesmo período, os híbridos avançaram para 34,5% de participação, enquanto gasolina e diesel juntos recuaram para 35,5%. Em uma conta mais ampla que soma elétricos e híbridos plug-in, a participação dos veículos eletrificados na Europa chegou a 23% no primeiro semestre de 2025, segundo o ICCT.

Centro de Design Geely em Gotemburgo na Suécia Geely/Divulgação

É nesse ambiente que as marcas chinesas vêm ganhando terreno. Dados citados pela agência Reuters, com base na consultoria Inovev, mostram que as fabricantes chinesas dobraram sua fatia no mercado europeu em 2025, chegando a 6%. Em países como Noruega, a participação chegou a cerca de 14%, enquanto Reino Unido, Espanha e Itália ficaram na faixa de 9% a 11%. Já a consultoria JATO apontou que, entre janeiro e julho de 2025, as marcas chinesas chegaram a 4,8% de participação na Europa e, em agosto, somaram mais de 43,5 mil carros registrados, alta de 121% sobre um ano antes.


Chineses com bases na Europa


A XPeng é um dos casos mais recentes dessa estratégia. A marca confirmou a abertura de seu primeiro centro europeu de P&D em Munique, na Alemanha, com foco em mobilidade inteligente e aproximação com o consumidor local. O movimento reforça a ideia de que, para crescer no continente, não basta apenas vender carros: é preciso desenvolver produto com leitura local de uso, tecnologia e preferência do cliente europeu.

Smart Driving Technology Center da Nio em Schönefeld, perto de Berlim Nio/Divulgação

A Nio já tem uma estrutura ainda mais ampla. A empresa abriu em 2024 seu Smart Driving Technology Center em Schönefeld, perto de Berlim, dedicado a condução inteligente. Além disso, a marca informa manter centros de P&D e manufatura em cidades como Munique, Oxford, Berlim e Budapeste, mostrando uma malha europeia mais madura para design, engenharia, software, homologação e infraestrutura de energia.

Smart Driving Technology Center da Nio em Schönefeld, perto de Berlim Nio/Divulgação

A BYD também ampliou sua presença técnica no continente. Em maio de 2025, a empresa anunciou a criação de sua sede europeia e base de P&D na Hungria onde estabelece uma fábrica. Segundo a marca, o local vai concentrar vendas e pós-venda, certificação e testes de veículos, além de desenvolvimento de design e de funcionalidades adaptadas ao mercado europeu. É um passo relevante para uma fabricante que tenta acelerar não só a penetração comercial, mas também a localização de produto.

Smart Driving Technology Center da Nio em Schönefeld, perto de Berlim Nio/Divulgação

No caso da Chery, o avanço europeu passa pelas marcas Omoda e Jaecoo. A companhia já havia anunciado a abertura de um centro de P&D na Catalunha, com cerca de 2.000 m², para desenhar e adaptar veículos ao gosto europeu. Agora, em março de 2026, surgiram relatos sobre um novo centro em Paris voltado ao desenvolvimento de futuros compactos para Omoda e Jaecoo no mercado europeu. Em paralelo, a Chery diz manter oito centros globais de P&D e mais de 300 laboratórios no mundo, o que ajuda a explicar a velocidade de sua expansão internacional.

Smart Driving Technology Center da Nio em Schönefeld, perto de Berlim Nio/Divulgação

A Leapmotor, parceira global da Stellantis, também acaba de entrar nesse jogo. A empresa inaugurou em março de 2026 seu primeiro centro europeu de inovação em Munique, descrito pela própria marca como a primeira unidade do tipo fora da China. O hub deve apoiar o desenvolvimento de próximos produtos e aproximar a empresa do ecossistema europeu de design e engenharia.

BYD também ampliou sua presença técnica no continente BYD/Divulgação

A Geely também tem bases que usam os laboratórios da Volvo em Gotemburgo. A cidade já virou um centro de adaptação e homologação de produtos para Volvo, Geely, Zeekr e Lynk&Co.

XPeng confirmou a abertura de seu primeiro centro europeu de P&D em Munique, na Alemanha XPeng/Divulgação

Outra chinesa com presença consolidada é a Changan. A fabricante tem centros de design em Turim e Munique e, mais recentemente, voltou a destacar sua base de P&D em Birmingham, no Reino Unido, como parte da estratégia para calibrar seus carros ao padrão europeu. A empresa reforça que sua relação com a Europa não começou agora: o centro de design em Turim remonta ao início dos anos 2000.

Na prática, a Europa virou um laboratório para a próxima fase da expansão chinesa. Se antes essas marcas eram vistas apenas como exportadoras de elétricos mais baratos, agora elas investem em engenharia local, calibração dinâmica, homologação, software e design regional. Isso acontece porque o mercado europeu segue exigente em segurança, emissões, conectividade e comportamento dinâmico, ao mesmo tempo em que acelera a transição energética.

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