Tesla sobe preços do Model S e X antes de tirá-los de linha
Sedã e SUV cupê ficam até US$ 15 mil mais caros enquanto lojas oferecem últimas unidades de estoque
A estratégia recente da Tesla de elevar os preços dos Tesla Model S e Tesla Model X às vésperas de sua saída de linha expõe uma mudança mais ampla no posicionamento da empresa — e também levanta questionamentos sobre o momento financeiro e estratégico da marca. Em meio a queda nas ações e insucessos recentes como o Cybertruck a Tesla precisa se reinventar.

Ascensão e queda do S e X
Os dois modelos, que foram pilares da ascensão da Tesla na década passada, estão sendo descontinuados ao longo de 2026. O próprio Elon Musk já havia sinalizado que encerraria a produção “em algum momento do ano”, sem detalhar um cronograma preciso. Na prática, a empresa já interrompeu pedidos personalizados e trabalha apenas com unidades em estoque.

Mesmo com o fim anunciado, a Tesla optou por aumentar os preços desses modelos — movimento que contraria a lógica tradicional de mercado, onde veículos em fim de ciclo tendem a receber descontos para escoamento.

Estratégia de preço: margem e posicionamento
A decisão de encarecer Model S e Model X pode ser interpretada como uma tentativa de maximizar margens em um produto de nicho. Com produção reduzida e demanda limitada, a Tesla passa a tratar esses modelos como itens quase exclusivos, voltados a um público fiel ou colecionadores.

Outro fator é o reposicionamento da marca. Hoje, o volume da Tesla está concentrado nos modelos Tesla Model 3 e Tesla Model Y, que respondem pela maior parte das vendas globais. Já os modelos S e X passaram a representar uma fração mínima do mix, com pouco mais de 50 mil unidades somadas em 2025, contra mais de 1,5 milhão dos modelos mais acessíveis.

Queda de demanda e mudança de foco
A decisão de encerrar os dois modelos está diretamente ligada à queda de demanda e ao envelhecimento do produto. Lançados em 2012 (Model S) e 2015 (Model X), ambos tiveram atualizações pontuais, mas perderam competitividade diante de rivais mais recentes — inclusive de fabricantes chineses.

Além disso, a Tesla está redirecionando seus investimentos para áreas fora do negócio tradicional de automóveis, como inteligência artificial, robótica e direção autônoma. Parte da capacidade produtiva será destinada ao robô humanoide Optimus e ao projeto de robotáxi.

Ações em queda e mercado à espera
Nos últimos meses, as ações da Tesla chegaram a cair cerca de 10% em 30 dias, enquanto episódios pontuais registraram perdas diárias de até 3% ou mais.

Entre os fatores que pressionam a empresa estão desaceleração nas entregas globais, com queda por dois anos consecutivos, aumento da concorrência, especialmente de marcas chinesas, redução de incentivos governamentais em mercados-chave, dúvidas sobre o retorno financeiro das apostas em IA e robótica
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