Teste: Jeep Avenger Longitude aposta em equipamentos e conectividade por 135 mil
Versão intermediária do SUV combina eletrificação leve e câmbio automático para conquistar quem procura um Jeep para o dia a dia

O Jeep Avenger amplia a disputa entre os SUVs compactos e leva a marca a um público que antes precisava começar pelo Renegade. Na versão Longitude MHEV, a proposta é combinar o visual característico da Jeep com equipamentos de conforto e segurança, mantendo o foco no uso urbano com seus 115cv e sistema híbrido leve. A configuração foi lançada por R$ 135.990, sem considerar opcionais e pintura.
Painel do Jeep Avenger Longitude MHEV 2027
Marcos Camargo Jr. 25.09.2026
O Avenger tem uma missão de recuperar o market share perdido da Jeep nos últimos anos. O último produto a ser lançado pela marca foi a picape Gladiator enquanto Renegade, Compass e Commander ganharam apenas detalhes estéticos ou no máximo atualizações de motor nos últimos anos. O Avenger vem ficar na base dessa pirâmide mas com proposta urbana e motor 1.0 turbo em uma faixa mais acessível a partir de R$ 120 mil.

É uma faixa em que a escolha exige mais do que identificação com a marca. Espaço para a família, acabamento, consumo e comportamento ao volante precisam justificar a compra diante de alternativas como Volkswagen Tera, Renault Kardian, Chevrolet Sonic e Fiat Pulse. Além disso ele convive com o veterano Renegade 1.3 turbo quase no mesmo preço apostando em design renovado e conectividade.

A carroceria preserva as sete fendas da grade, as caixas de rodas marcadas e as lanternas com assinatura em X. Na Longitude, as rodas de liga leve são de 17 polegadas, enquanto os bancos combinam tecido e vinil.

O Avenger ao vivo é no dia a dia agrada muito pela proposta. O acabamento é bem feito, com qualidade esperada dos materiais de porta e forrações. Pelo preço é superior ao que a Fiat, Volkswagen e GM ou Renaulr oferecem nos rivais.

Na cabine, a avaliação começa pela posição de dirigir. A facilidade para encontrar um ajuste confortável, a visibilidade e a disposição dos comandos têm influência direta na convivência com o carro. Para quem troca um hatch por um SUV, esses pontos podem pesar tanto quanto o desenho da carroceria.

O conforto dos bancos dianteiros, ajustes do volante, espaço para pernas e cabeça são bons no banco da frente mas a acomodação de três passageiros e facilidade de acesso atrás são razoáveis. Isso porque a plataforma CMP não é farta no espaço traseiro com apenas 2,54m de entre eixos. No restante o Avenger tem 4,08 metros de comprimento, 1,78 metro de largura (sem contar os retrovisores) e 1,58 metro de altura.

O porta-malas tem capacidade anunciada de até 364 litros. Além do volume, vale observar o formato do compartimento e a facilidade para acomodar malas, compras ou um carrinho de bebê. Está próximo dos rivais mas é menor que o do Sonic de 392 litros porém maior que Tera e Kardian com 350 e 358 litros respectivamente.

A Longitude traz central multimídia de 10 polegadas, painel digital de 7 polegadas, ar-condicionado automático, carregador por indução, câmera de ré e chave presencial. É a versão intermediária com potencial de vender mais pelo custo interessante para a faixa de preço. Na segurança, oferece seis airbags, frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa e piloto automático adaptativo o que é um bom diferencial pelo valor cobrado.

O funcionamento da multimídia é muito bom com interface simples e eficiente com boa resolução, conexão com o celular bem estável, qualidade da câmera e atuação do ACC.
Motor suficiente e melhor para usar na cidade
Sob o capô, o Avenger utiliza o motor 1.0 turbo flex T200, com 116 cv e aproximadamente 20,4 kgfm de torque, associado ao câmbio CVT com sete marchas simuladas. O motor da casa usado hoje em oito modelos Stellantis recebe assistência do sistema híbrido leve de 12 volts. Segundo a Jeep, a aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 10,3 segundos.

A sigla MHEV foi um rebatismo recente da engenharia da Stellantis e indica uma eletrificação voltada ao auxílio do motor a combustão e à eficiência. Com isso a rotina do dia a dia será mais econômica do em um motor turbo sem assistência eletrificada mas só na cidade. Os 116cv do Avenger são suficientes com bom torque, funcionamento suave do câmbio CVT e até vigor para ultrapassagens.

Na estrada é preciso ser mais cuidadoso. O torque aparece cedo e fica melhor mesmo só na cidade onde as saídas de semáforo e ladeiras serão os maiores obstáculos. Apesar disso o T200 MHEV funciona de forma mais silenciosa que nos modelos Fiat e Citroën e seu ajuste de suspensão confortável remete muito ao perfil dos modelos Peugeot especialmente o 2008.

Em um SUV destinado ao cotidiano, absorver irregularidades sem transmitir impactos excessivos à cabine é tão relevante quanto manter um comportamento previsível nas curvas e nas frenagens. Nisso o Avenger é bem competente mas não tem suspensão do tipo Multilink (usada no Renegade, Compass e Commander) que é bem mais confortável e adota o tradicional eixo rígido. Ao longo de uma semana o consumo predominantemente urbano ficou em 10,7km/l, bom para um SUV da sua classe mas sem grandes surpresas.
Espaço interno do Jeep Avenger Limited 2027
Marcos Camargo Jr. 12.08.2026
A Longitude ocupa uma posição interessante para quem busca equipamentos além do básico sem partir diretamente para a versão de topo. O veredicto, porém, depende de como o Avenger entrega essa proposta na prática, especialmente em espaço, conforto e desempenho. Por R$ 135 mil o Avenger ocupa posição de destaque no portfólio por ser bem equipado e moderno na proposta tendo até mesmo controle de cruzeiro adaptativo. Mas esse preço já encosta no Jeep Renegade que oferece 60cv a mais no 1.3 turbo de 176cv e apesar de veterano pode ser bem mais adequado para viajar do que o Avenger.
Se a questão é um produto novo mais conectado e que faz sucesso em vários países o Avenger Longitude traz uma resposta que os clientes Jeep esperavam. Mas se a ideia é oferecer desempenho a marca responde com o portfólio veterano do Renegade dentro da mesma categoria com desempenho entre seus pontos de destaque na faixa dos R$ 135 mil.
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