Vendas de elétricos caem nos EUA e montadoras começam a rever planos
Marcas relatam dificuldades de produção e custos elevados e passaram a rever os planos de ampliação da produção de carros puramente elétricos
Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

O mercado de carros elétricos de alto volume vem sofrendo alguns contratempos nos últimos meses. Temas como a redução de oferta de energia limpa na Europa, a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, os preços altos e a rejeição de modelos elétricos em segmentos específicos como o de picapes vêm atrapalhando os planos das montadoras.

O R7 Autos Carros listou alguns recuos ocorridos na última semana, que mostram que a transição para os carros elétricos pode não ser tão rápida como algumas marcas esperavam.

A General Motors é uma das grandes montadoras a sofrer um revés de demanda, e ele ocorre justamente nos Estados Unidos. Em uma semana, a marca, que vem perdendo com as greves, que custam R$ 1 bilhão por semana, anunciou um adiamento do lançamento da picape elétrica Silverado para o fim de 2025. Ela continuará a ser produzida, porém na versão Pro, destinada ao uso comercial.

A CEO da General Motors, Mary Barra, que em 2020 disse que o grupo iria se movimentar “rapidamente em direção aos elétricos”, agora admite que “a transição levará décadas” e, mais recentemente, “enquanto nos direcionamos para os elétricos, sabemos que haverá algum contratempo”. No início do ano, a GM disse que iria produzir 100 mil veículos elétricos em 2023 e 400 mil em 2024; agora, confirmou que essa meta não será atingida.

Outro revés para a GM foi o cancelamento da parceria com a Honda, que durou apenas um ano. A Honda anunciou novos passos, agora com os chineses da GAC e da Dongfeng, que podem não necessariamente resultar em elétricos da marca.

A Mercedes-Benz, que recentemente anunciou novidades para o mercado nacional com o EQS 450 SUV e o EQE 300, também recuou dos planos globais de eletrificação. “Eu dificilmente posso imaginar que exista um status atual de sustentabilidade total para todo mundo”, disse Harald Wilhelm, diretor-financeiro da empresa.
Por isso, a Mercedes-Benz passou a oferecer generosos descontos em seus carros elétricos, nos últimos dois meses, nos Estados Unidos. E uma pesquisa recente da KBB mostra que, em média, as montadoras estão oferecendo 4,9% de desconto para tornar os modelos elétricos mais atrativos. Esse desconto equivale em média a US$ 2.368, cerca de R$ 11,4 mil.

Apesar da parceria com os chineses, a Honda também relatou dificuldades de produzir carros elétricos com custo abaixo dos US$ 30 mil. O presidente do gigante japonês, Toshihiro Mibe, disse nesta semana que as metas de eletrificação são difíceis de alcançar. “Depois de estudar o assunto [com a GM], decidimos que era difícil como negócio, e no momento estamos encerrando o desenvolvimento de carros baratos”, disse Mibe em entrevista à Bloomberg.

O chairman da Toyota, Akio Toyoda, disse nesta semana que “as pessoas estão vendo a realidade” sobre os carros elétricos. Embora já tenha seus modelos eletrificados, a marca também admite que está com dificuldade para comercializar esse tipo de veículo no mercado. Para a Toyota, as vendas de modelos elétricos, que subiram 63% em 2022, neste ano já caíram 49%. O próprio BZ3 e também o BZ4X não têm sido tão bem-aceitos como a Toyota esperava de um carro que deveria suceder o Corolla e o RAV4.

A Ford, que já havia desistido de lançar carros autônomos nos Estados Unidos após inúmeros testes e um alto custo, agora também desistiu de construir sua fábrica de baterias para carros elétricos.

Crises com sindicatos, a destinação de terras agrícolas para o projeto e as vendas em baixa levaram a empresa à decisão de suspender o investimento, estimado em R$ 17,6 bilhões. No ano passado, as vendas do Mach-E elétrico bateram recordes, mas neste ano já estão caindo 20%, o que fez soar um alerta na companhia













