A poucas semanas do 1º turno, Lula mira Sudeste e amplia exposição na campanha
Preocupada com pesquisas e efeitos da crise no STF, campanha quer presidente mais presente em entrevistas, nas redes

A menos de três semanas do primeiro turno, a campanha do presidente Lula decidiu concentrar boa parte dos próximos dias em estados do Sudeste e ampliar a exposição do petista numa tentativa de reagir a um cenário eleitoral considerado mais desafiador pela equipe.
A agenda da semana foi fechada nesta segunda-feira (14), durante reunião de Lula com a coordenação da campanha no Palácio da Alvorada. O presidente passará por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo antes de voltar ao Sul, com um ato em Florianópolis no sábado (19).
Por trás do roteiro está a preocupação com os resultados mais recentes das pesquisas e com os possíveis efeitos eleitorais das investigações do caso Master e da crise no Supremo Tribunal Federal.
A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda acendeu mais um sinal de alerta. Lula mantém a liderança no primeiro turno, com 36%, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL), mas os dois estão tecnicamente empatados em uma eventual disputa de segundo turno: Flávio aparece com 42% e Lula, com 40%. Na rodada anterior, ambos tinham 41%. O levantamento aponta o Sudeste entre os fatores que contribuíram para o avanço de Flávio.
Nesse cenário, uma das estratégias discutidas pela campanha é colocar mais Lula na rua e também “no ar”. A equipe quer ampliar a participação do presidente em entrevistas e estuda encaixar conversas com rádios de Minas Gerais na quinta-feira (17), antes do grande ato previsto para a noite em Montes Claros.
A presença de Lula nas redes sociais também deve aumentar. A live realizada neste domingo (13), na qual o presidente falou diretamente com militantes e influenciadores, é parte desse movimento. A avaliação interna é que Lula precisa aparecer mais e assumir pessoalmente parte da comunicação nesta reta final.
A campanha também começou a mudar a postura diante da crise no STF e das investigações do caso Master. Depois de dias de cautela, Lula passou a entrar diretamente no embate.
No comício de Porto Alegre, na última sexta-feira (11), o presidente falou abertamente sobre Daniel Vorcaro e tentou devolver à oposição o desgaste provocado pelas investigações. “Na época deles, o bandido virou banqueiro. No meu mandato, ele virou prisioneiro”, afirmou Lula. A fala marcou uma mudança de tom.
A estratégia, agora, é tentar impedir que o caso seja explorado apenas pelos adversários e reforçar o discurso de transparência das investigações, ao mesmo tempo em que Lula procura retomar temas considerados mais favoráveis à campanha, como entregas do governo e propostas para reduzir o custo de vida.
O mapa das viagens acompanha essa tentativa de reação. Lula permanece em Brasília nesta segunda e terça-feira para agendas presidenciais. Na quarta (16), faz um comício em Ceilândia, no Distrito Federal.
Na quinta-feira (17), segue para Montes Claros, em Minas Gerais, onde participa de um grande ato à noite. Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, é tratado como um dos estados centrais para a estratégia da reta final.
Na sexta (18), Lula terá pela manhã uma agenda presidencial no Rio de Janeiro, onde deve acompanhar o lançamento de um programa de segurança do governo estadual. À tarde, segue para Guarulhos, em São Paulo. A campanha ainda define se fará comício ou caminhada.
No sábado (19), Lula volta a Santa Catarina para um ato no centro de Florianópolis. O Sul continua sendo uma das regiões mais difíceis para o presidente e onde a campanha tenta reduzir a vantagem da direita.
No domingo (20), Lula deve embarcar à noite para Nova York, onde participará da Assembleia Geral das Nações Unidas.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp













