Lula deve defender democracia e citar Venezuela em discurso na Cúpula do Mercosul
Presidente também deve reforçar unidade do bloco, destacar combate ao crime organizado e evitar confronto direto com os EUA

O presidente Lula deve usar o discurso na Cúpula do Mercosul, nesta terça-feira (30), em Assunção, no Paraguai, para defender a democracia na América do Sul, reforçar a unidade do bloco e manifestar solidariedade à Venezuela. Segundo interlocutores, a fala também deve abordar os desafios do comércio internacional e o combate ao crime organizado na região, sem citar diretamente os Estados Unidos.
O encontro marca os 35 anos do Mercosul e encerra a presidência temporária do Paraguai no bloco, que será transferida ao Uruguai. A expectativa do governo brasileiro é aproveitar a cúpula para apresentar o Mercosul como exemplo de integração em um momento de aumento do protecionismo, da escalada de barreiras comerciais e de enfraquecimento do sistema multilateral de comércio. A avaliação do Planalto é que o bloco vive um momento de fortalecimento, em contraste com o cenário internacional e de outras instituições da região.
Um dos principais eixos do discurso deve ser a defesa da democracia. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que, apesar da predominância de governos de direita na Cúpula, Lula deve destacar que os processos eleitorais têm sido realizados, seus resultados respeitados e o compromisso do grupo tem que ser acima das diferenças ideológicas entre os governos.
Lula também deve mencionar a situação da Venezuela e manifestar solidariedade ao país. Esse deve ser um dos temas citados diretamente pelos chefes de Estado durante a reunião e seus discursos, apesar de diferenças ideológicas.
Outro assunto que deve ganhar espaço é o combate ao crime organizado transnacional. A segurança pública passou a ocupar posição central nas discussões entre os países do bloco, diante do avanço de organizações criminosas que atuam nas fronteiras.
Embora o tema dialogue com desafios enfrentados por diversos países do continente, a orientação do governo brasileiro é evitar transformar a cúpula em um debate sobre os Estados Unidos ou sobre a política tarifária americana. A estratégia é tratar o crime organizado e o comércio internacional como desafios globais, e não como questões bilaterais.
A agenda da cúpula também será marcada por anúncios econômicos. Será a primeira reunião de chefes de Estado desde a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, aplicado provisoriamente desde maio deste ano.
Além disso, está previsto o lançamento das negociações para um acordo de parceria econômica entre o Mercosul e o Japão, iniciativa anunciada por Lula e pela primeira-ministra japonesa durante o G7, na França.
Outro tema em discussão é o relançamento do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), mecanismo criado para financiar projetos de infraestrutura e reduzir desigualdades entre os países do bloco. O governo brasileiro ainda finaliza os valores da contribuição que defenderá durante a reunião e pretende incentivar a Argentina a participar.
Nos bastidores, a avaliação do Planalto é que a cúpula será uma oportunidade para reforçar a imagem do Mercosul como instrumento de integração econômica e estabilidade política em um momento de crescente fragmentação das relações comerciais e geopolíticas no cenário internacional.
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