Interinidade no Planalto “dá frio na barriga”, diz Toffoli
Presidente interino da República, ministro do STF é o primeiro a dar entrevista no Planalto. Sentou-se na cadeira de Temer para trabalhar e enfrentou com humor inabalável até apagão no gabinete presidencial
Christina Lemos|Do R7

O presidente interino da República, Dias Toffoli, fugiu ao estilo discreto e austero da antecessora, a ministra Cármen Lúcia, que substituiu Michel Temer no comando do país por quatro ocasiões nos últimos meses. Toffoli assinou cinco atos de governo, sendo três sanções a leis aprovadas no Congresso, uma medida provisória e uma concessão de medalha de honra - todas medidas “deixadas” por Michel Temer, para marcar a interinidade do presidente do STF. E não titubeou a aceitar pedidos para dar entrevista aos setoristas do Planalto. Ao entrar no Salão Leste, cumprimentou os jornalistas um a um, que reagiram com surpresa e ceticismo.
Perguntado sobre a experiência de retornar ao Planalto treze anos depois - Toffoli foi sub-chefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil de 2003 a 2005, no primeiro mandato de Lula - o ministro admitiu que a interinidade na presidência da República “dá frio na barriga”, mas não hesitou em revelar satisfação com a experiência: “só encontrei amigos, pessoas felizes com a nossa presença. O que marca o nosso trabalho é a nossa humanidade. É o nosso desafio de nos doar ao outro e ao próximo”, declarou.
A fila para o “beija-mão” ao presidente interino da República foi longa nesta terça-feira: o último compromisso da agenda estava previsto para 21h40. Toffoli recebeu quatro colegas do STF e outros três do TSE, além dos ministros da Fazenda e das Cidades. Não hesitou em sentar-se à cadeira do presidente da República, “patrimônio de todos nós” - declarou. E não teve o bom humor abalado nem pelo súbito apagão, que o forçou a terminar o dia às escuras, com a falta de energia elétrica no gabinete de Michel Temer.
Disposto a dessacralizar aspectos do exercício da função pública e a quebrar certos paradigmas formais, o ministro vem espanando a poeira dos costumes também no STF. A desenvoltura do novo presidente causou perplexidade durante sessão administrativa do STF, na última quarta, logo após comandar pela primeira vez a sessão do pleno do Tribunal. Toffoli apresentou ampla reforma da estrutura administrativa do Supremo, inclusive criando e suprimindo funções. Colheu declaração de apoio do colega Lewandovski e um pedido de vista de Marco Aurélio Mello, que alegou precisar de “muito mais tempo” para entender as mudanças.















