Dólar em queda; entenda por que a moeda já caiu mais de 6% neste ano
Movimento reflete fatores externos, como taxa de juros e incertezas sobre tarifas dos EUA e demanda global por ativos como ouro

O dólar está em ciclo de desvalorização no Brasil e no mundo. Em fevereiro de 2026, a moeda norte-americana consolidou um recuo que a levou ao patamar de R$ 5,15 nesta terça-feira (24), menor valor desde 21 de maio de 2024.
A queda acumulada é de 6,08% neste início de ano em relação ao real, o que representa o melhor desempenho entre moedas latino-americanas no período.
Foi o quarto pregão consecutivo de desvalorização da divisa nesta terça-feira, acumulando baixa de 1,76% em fevereiro, após recuo de 4,40% em janeiro.
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O mercado de câmbio global registra um enfraquecimento da moeda americana, o que beneficia sobretudo, divisas emergentes de países com juros altos, como as da América Latina.
A queda do dólar começou no ano passado e se mantém nos primeiros meses de 2026.
Para Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank, o movimento é explicado, principalmente, por fatores externos:
- a queda da taxa de juros nos Estados Unidos
- a instabilidade política e preocupação com a trajetória fiscal americana
- e o próprio cenário geopolítico que tem impulsionado mais a demanda por ativos como ouro e menos pelos títulos públicos americanos
“Esses três pilares têm sido os principais fatores que desencadearam o enfraquecimento do dólar no mundo todo e não só no Brasil”, afirma Larissa.
Essa tendência externa deve prevalecer no curto prazo, ou seja, o dólar pode continuar caindo.
No entanto, ela destaque que, no cenário doméstico, aqui no Brasil, alguns fatores pressionam o câmbio:
- o déficit fiscal elevado do Brasil
- o aumento da dívida líquida
- desafios de produtividade e de crescimento do Brasil
“Esses são fatores que devem manter esse limite na desvalorização do dólar frente ao real. Por isso, o cenário para o câmbio doméstico ainda é bem incerto”, avalia a planejadora.
A projeção do banco é que o dólar feche o ano de 2026 a R$ 5,50, o que representa ainda uma leve depreciação do real neste ano. “Lembrando que esse ano também costuma ser volátil porque temos eleições pela frente”, acrescenta.
Investidor e quem vai viajar
A regra de ouro tanto para o investidor quanto para quem vai viajar para o exterior e quer se proteger contra as variações do dólar é a compra ou investimento de forma gradual, orienta Larissa.
“Essa compra gradual da moeda evita uma exposição a risco muito alto e faz com que o investidor obtenha um aproveitamento mais inteligente e chegue a um preço médio mais interessante.”
Novas tarifas
O queda também reflete o fluxo de investimento estrangeiro para mercados emergentes, influenciado pelo aumento das incertezas em relação às novas tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, após a Suprema Corte do país derrubar as medidas anteriores.
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o cenário atual deve ser visto como estratégia.
“O ano de 2025 já não foi bom para o valor do dólar, com uma queda acumulada de mais de 11%. Agora, estamos vendo o que eu considero uma janela de oportunidade para dolarizar patrimônio e comprar ativos fora”, afirma Mendlowicz.
Ele ressalta a mudança de comportamento dos bancos centrais globais, com o ouro ultrapassando os títulos públicos americanos (Treasuries) como a principal reserva.
“O que estamos vendo é uma divisão do mundo em dois grandes blocos. O ouro vem ganhando relevância e até tirando o brilho de algumas ações”, observa o economista. Mas ele faz um alerta sobre o otimismo com o metal: “É preciso cuidado”.
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