Gasolina mais cara e inflação: entenda os impactos da guerra no bolso do brasileiro
Expectativa é de aumento dos preços dos combustíveis, com a pressão da disparada do petróleo após conflito no Oriente Médio
A disparada do petróleo no mercado internacional, após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deve pressionar os preços dos combustíveis no Brasil e, consequentemente, afetar a inflação e a redução dos juros.
Segundo a Abicom, que reúne as importadoras de combustíveis no país, a defasagem média do valor da gasolina, apurada nesta segunda-feira (2), foi de R$ 0,42/litro.
“A expectativa é de que vai ter aumento sim, tanto na gasolina quanto no diesel, nos preços dos produtos importados e das refinarias privadas“, afirma Sergio Araújo, presidente da Abicom.
“Quanto à Petrobras, não sabemos qual vai ser a decisão. É natural que a empresa espere passar alguns dias para estabilização desse novo patamar do mercado internacional, para depois se posicionar”, acrescenta.
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O Estreito de Ormuz, entre a Península Arábica e o Irã, foi fechado pelo governo iraniano, que ameaça destruir os navios que tentarem passar por lá.
A região é crucial para o comércio mundial. O estreito concentra cerca de 20% do fluxo do petróleo e conecta grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.
“Com o protagonismo que o Irã tem na produção mundial de petróleo, existe um risco muito grande do commodity”, avalia o economista e professor Hugo Garbe.
Segundo ele, o aumento de preço vai ter um efeito direto na inflação. “O combustível é o principal componente de custo de grande parte das empresas, do governo e das famílias. Então, a partir do momento que você tem um aumento no petróleo, isso significa mais inflação”, explica o economista.
Ele destaca que os países já sofrem com inflação desde o final da pandemia. “Brasil, Estados Unidos e Europa, por exemplo, vêm mantendo as taxas de juros muito altas para poder conter a inflação. Isso é um componente a mais nesse caldeirão econômico que a gente tem vivido nos últimos anos para que os bancos centrais venham a controlar”, acrescenta Garbe.
Juros
A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, está marcada para os dias 17 e 18 de março. A expectativa é de início do ciclo de corte da taxa básica de juros. Atualmente, a Selic está em 15%.
Caso a inflação volte a pressionar os preços, a redução dos juros pode ter um ritmo menor ou até mesmo ser adiada.
“Seja como for, o mercado já sentiu o impacto dessa guerra”, afirma o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti. “É uma pressão inflacionária global, porque encarece o preço dos transportes.”
Ele lembra que os países do Oriente Médio são grandes consumidores da agropecuária e de commodities brasileiros. Em 2025, o Brasil exportou mais de 16 bilhões de dólares em produtos para a região, os principais itens são: carne de ave, milho, açúcar e minério de ferro.
O especialista explica como a guerra pode impactar a população brasileira.
“O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de 65 para 85 dólares nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil”, acrescenta.
- Primeiro ponto
“Os combustíveis vão sofrer um reajuste, mesmo produzindo petróleo, porque importamos os derivados e usamos a referência internacional para fazer os preços dos combustíveis no país.”
- Segundo ponto
“É o transporte. Com o diesel ficando mais caro, significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final.”
- Terceiro ponto
“A inflação. Se sobe o combustível, vários setores acabam reajustando seus preços. O trabalhador acaba sentindo isso no bolso: no gás de cozinha e no supermercado. Não é um efeito imediato, mas costuma aparecer em algumas semanas.”
O profissional conta, ainda, que é possível que este cenário melhore. “Tudo depende da evolução do conflito. Se a tensão diminuir, o preço do petróleo pode recuar. Mas se o risco continuar nessa região estratégica, alguns analistas já falam na possibilidade de o barril chegar perto de 100 dólares. O Oriente Médio pode parecer distante no mapa, mas quando a crise envolve petróleo, ela acaba chegando aqui na forma de combustível mais caro, frete mais caro e pressão nos preços do dia a dia”, avalia Tonegutti.
Inflação
O preço médio da gasolina atingiu R$ 6,28 o litro, segundo último levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), realizado entre os dias 22 e 28 de fevereiro, e divulgado nesta segunda-feira (2). Já o óleo diesel S10 tem preço médio de R$ 6,09 no mesmo período e o etanol, R$ 4,63.
A prévia da inflação de fevereiro, medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15), do IBGE, registrou aumento de 1,38%, com alta nos preços do etanol (2,51%), da gasolina (1,30%) e do óleo diesel (0,44%).
Dólar
O dólar teve uma leve alta de 0,62%, fechando em R$ 5,16. No entanto, a moeda chegou a bater R$ 5,21 pela manhã. Segundo analistas, houve moderação com a percepção da possibilidade de o conflito não se estender.
A preocupação também é a questão logística. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) já anunciou o aumento da produção, como forma de garantir a oferta do combustível.
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